Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo
Enviada em 16/08/2021
Durante os jogos olimpícos de 2020 que aconteceram no ano de 2021 em Tóquio por conta da pandemia, o atleta de tênis de mesa Hugo Calderano deu uma entrevista dizendo: “Tênis de mesa, para mim, é como uma Guerra Mental”. Essa fala do atleta de alto rendimento, nos alerta que além do treino físico, o treino mental se faz muito importante, pois os dois unidos geram grandes resultados. Mas infelizmente, a questão psicológica dentro do esporte ainda é pouco discutida, acarretando em problemas futuros aos atletas.
A psicóloga Katia Rubo, coordenadora do Grupo de Estudos Olímpicos (GEO) da USP, diz que antes de ser atleta a pessoa é um ser humano como qualquer outro, mas que tem habilidades físicas acima da média. Infelizmente alguns torcedores não conseguem ter essa visão, e acreditam que os atletas não possuem dores, sentimentos, medos, transtornos psicológicos, assim jogam uma grande responsabilidade para cima dos atletas de obter resultados e desempenhos bons, e se não alcançadas essas expectativas, são atacados de forma extrema. Por isso que o treino mental, se faz muito importante para lidar com essas situações, sem esse preparo e discussão faz com que o atleta não alcance seu desempenho máximo.
Também em Tóquio, essa discussão foi aberta com a atleta Simone Biles, um grande nome da ginástica artística mundial, que desistiu de disputar a final individual de sua modalidade. Disse ela, que era necessário se preocupar no momento com sua saúde mental, para não se colocar em risco tanto fisicamente quanto mentalmente. Além disso, existem muitos países que são referências no preparo mental de seus atletas, já outros nem tanto, como o caso de Moçambique. Por causa da extrema pobreza que o país passa, é praticamente inexistente o preparo mental de seus atletas, podemos ver o reflexo disso no quadro de medalhas, onde grandes atletas desse país não conseguiram chegar ao pódio, talvez por conta da falta de preparo psicológico.
Em resumo, é necessário que exista um cuidado com a saúde mental dos atletas em geral, para que seja alcançado 100% de sua melhor forma, para que isso ocorra precisamos quebrar a barreira da discussão psicológica dentro do esporte. Assim, cabe ao COB (Comitê Olímpico Brasileiro) desenvolver divisões de preparo psicológico assim como as físicas, nos CTs (Centros de Treinamentos), nos mesmos devem possuir psicológos esportivos que ficaram responsáveis pelo acompanhamento psicológico dos atletas em sua jornada esportiva. Além disso, cabe ao Ministério do Esporte junto ao Ministério da Saúde, aplicarem inevestimentos em campanhas para os atletas buscarem ajuda psicológica, afim de sanar o problema da ausência da discussão sobre a saúde mental esportiva.