Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo
Enviada em 16/08/2021
“A menina de ouro”, filme que conta a história de uma lutadora que sem ter nenhum amparo psicológico, sofreu diversos preconceitos ao entrar na carreira de boxeadora profissional. Isso por ser mulher e mais velha do que o usual e por não ser um assunto comentado, trouxe a mesma diversos prejuízos e traumas. Existem muitos malefícios causados pela ausência de discussões sobre transtornos mentais no âmbito esportivo, essa falta de preocupação com a saúde mental dos atletas se dá por uma falsa expectativa de que os mesmos são imbatíveis por serem de fato extraordinários em suas modalidades esportivas. Segundo a OMS, Organização Mundial da Saúde, mais de 11 milhões de brasileiros sofrem de algum transtorno depressivo. No esporte, a maior causa de depressão e ansiedade é a busca por resultados, que muitas vezes são apenas utópicos e inalcançáveis, a desilusão ao não chegar onde imaginava com a rapidez desejada também é um fator que pode agravar a situação. Contudo, pesquisas mostram que a depressão cresceu de forma inesperada no meio esportivo, isso porque alguns clubes ainda não enxergam a doença como um mal a ser tratado, retornando então ao estigma de que quem possui transtornos psicológicos é “mais fraco” ou até mesmo a antiquada ideia de que há um drama por trás disso. Como resultado se tem a falta de estrutura e de profissionais da área para trabalhar em conjunto com os atletas. A psicóloga Katia Rubio, que coordena o Grupo de Estudos Olímpicos (GEO) da USP explica: “As habilidades existentes nos atletas levam o torcedor a acreditar que os mesmos não têm problemas, não sentem dores, são infalíveis. Como qualquer outra pessoa, atletas têm o direito de dizer que não estão se sentindo bem mesmo que seja no momento mais importante de suas carreiras”. Portanto, é possível enxergar que a existência de debates sobre a saúde mental no âmbito esportivo é realmente necessária para que exista um melhor desempenho, e uma melhor qualidade de vida dos atletas. Clubes devem investir em profissionais da saúde como psicólogos e psiquiatras para trabalhar frequentemente com os jovens. Com os atletas saudáveis psicologicamente, o rendimento esportivo dos mesmos será muito melhor. Para combater a banalização das doenças mentais, o Estado, em parceria coma OMS e com o Ministério da Cidadania devem se responsabilizar pela realização de campanhas informativas por meio de videos e palestras com profissionais da área, com a finalidade de reestruturar a ideia já existente sobre o tema, disponibilizando gratuitamente para todos informações corretas sobre o assunto.