Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo

Enviada em 16/08/2021

É inegável que o âmbito esportivo é um lugar de muita cobrança e pressão. Praticar um esporte, seja ele qual for, requer tanto esforço físico quanto psicológico. Infelizmente, em vários casos, a saúde mental do esportista não é levada em consideração, existindo apenas a cobrança pela perfeição e a falta de apoio, o que é totalmente prejudicial no desempenho e na carreira do mesmo. Diante disso, dois aspectos fazem-se relevantes: os problemas mentais desenvolvidos por atletas, como consequência da pressão psicológica e os danos irreversíveis que a falta de saúde mental pode causar.

Primeiramente, é válido ressaltar que assim como todos os outros membros da sociedade, os atletas são vulneráveis á criticas e cobranças, ou seja, podem ser fácilmente abalados. Porém, muitas das vezes, os torcedores esquecem do lado emocional de seus “ídolos” e colocam uma pressão muito grande em cima deles, principalmente em jogadores de futebol. Isso ocasiona o desenvolvimento de severas doenças mentais. A FifPro (Sindicato Internacional dos Atletas), que é responsável por publicar estudos envolvendo a saúde de atletas profissionais, revelou que a depressão lidera a lista de doenças que mais afetam jogadores e ex-jogadores de futebol. Seu levantamento realizado em 2015,  apontou que 38% dos 607 jogadores e 25% dos 219 ex-jogadores disseram ter sofrido de ansiedade ou depressão. Os números são claramente alarmantes e confirmam a gravidade do problema.

Por seguinte, pode-se citar que a pressão psicológica, além de desencadear problemas mentais nos atletas, pode gerar consequências fatais, como por exemplo o caso do suicídio do atacante uruguaio “Morro García”, jogador do time argentino Godoy Cruz, que foi encontrado morto em sua cama, baleado no parietal direito com arma de fogo calibre 22. A mãe do jogador em uma entrevista para a “Gazeta Esportiva”, relatou que o filho sofria de depressão e sempre era menosprezado pelo presidente do time, José Mansur, que inclusive não ligou para dar as devidas condolências, assim como o perfil do time nas redes sociais deu.

Diante dos argumentos supracitados, conclui-se que a saúde mental dos atletas não é levada em consideração como deveria. Por isso, algumas medidas devem ser tomadas para resolver este impasse. O Ministério da Cidadania, que é responsável por cuidar dos esportes, deve garantir a presença de psicólogos no âmbito esportivo, ou seja, os clubes devem possuir departamentos que deem suporte  para esse tipo de problema. Há a necessidade de uma rígida fiscalização nos responsáveis por algum time e empresários de jogadores que possuem carreira solo, para que não haja nenhum tipo de preconceito ou menosprezo por parte dessas “forças maiores”. Dessa forma a frase dita pelo pensador Roger Lima poderá entrar em vigor, “A perfeição está no equilíbrio entre os defeitos e as qualidades”.