Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo
Enviada em 16/08/2021
Na série “The Wilds”, a nadadora Rachel desenvolve distúrbios psicológicos devido à pressão de sua treinadora pela busca de um bom rendimento no esporte. Analogamente à obra, atletas enfrentam obstáculos quanto à plenitude de sua saúde mental por conta da falta de comunicação sobre o assunto na esfera esportiva. Dessa forma, em razão da negligência estatal e reprodução de estereótipos pela população, prejuízos se agravam na sociedade.
Em primeira análise, nota-se que, segundo a Constituição Cidadã, é direito de todos e dever do Estado o acesso à saúde. No entanto, é evidente que não há garantia dessa lei, visto que esportistas renomados, como o jogador Adriano Imperador, a ginasta Simone Biles, judoca Rafaela Silva e muitos outros, alegam que já sofreram ou sofrem com cobranças e críticas que afetam suas saúdes mentais, consequências ignoradas pelo público e governo. Sob essa perspectiva, a historiadora Lilia Schwarcz diz que, apesar de o Brasil ter uma legislação avançadas, muito do que ela propõe não se concretiza. Logo, tem-se que o poder Executivo não é eficaz e, assim, permite que o impasse se propague para futuros atletas.
Ademais, a perpetuação de ideologias preconceituosas e a constante desumanização por parte da sociedade ajudam a adoecer aqueles que praticam esportes. Nesse sentido, o sociólogo Michel Foucault definiu essas ações como “Normalização”, isto é, a repetição de comportamentos sem a devida reflexão crítica dessa conduta. Assim, de acordo com Émile Durkheim, essas atitudes configuram um ambiente patológico, já que não promovem o bem-estar coletivo e impedem o desenvolvimento geral.
Portanto, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, instalar a discussão sobre saúde mental nas escolas e em todos os treinos das categorias dos centros esportivos, por meio inclusão do assunto nas disciplinas de Ciências Humana e da criação de um setor exclusivo de Inteligência Emocional nos locais de treinamento, respectivamente, contando com a ajuda de profissionais da área de psicologia e psicanálise, a fim de desenvolver competências psicológicas e desconstruir ideias negativas no corpo social. Destarte, cenários como o de Rachel não ocorrerão mais.