Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo
Enviada em 23/08/2021
Recentemente, a desistência da atleta norte-americana Simone Biles de disputar a final do solo nas olimpíadas de Tóquio, a fim de que pudesse cuidar de sua saúde mental, trouxe a tona o debate na mídia acerca da falta de apoio psicológico no meio esportivo. É inegável que diversos atletas acabam sofrendo com casos de extrema ansiedade e depressão, sobretudo durante jogos olímpicos, principalmente em razão da grande pressão gerada pela mídia e pelo público, além da rotina intensa de treinamentos que só visa o preparo físico, mas não o psicológico.
Segundo o filósofo e escritor Elbert Hubbard, “o maior erro na vida é o de ter sempre medo de errar”. Tendo em vista essa afirmação, é claro de perceber que o medo dos erros é um dos maiores fatores que geram estresse em atletas de alto rendimento, acentuado, sobretudo, pela inevitável expectativa colocada pelo público e veículos midiáticos, que colabora para a construção de uma visão idealizada dos atletas, onde eles devem ser extremamente focados e fortes, sem apresentar fraquezas. Sob esse viés, a falta amparo psicológico necessário pode fazer com que o esportista realize uma cobrança excessiva de si mesmo, além de comparações com outros competidores, resultando em um extremo cansaço físico e mental, assim como problemas de autoestima.
Outro fator imprescindível de ser comentado é a existência de uma rotina intensa de treinamento a qual são submetidos os atletas, onde eles precisam superar todos os seus limites para que possam ter um desenvolvimento satisfatório de sua performance. Ainda convém lembrar que esses treinamentos são acompanhados por diversos profissionais, como nutricionistas e médicos, mas raramente de psicólogos ou psiquiatras. Paralelo a isso, diversos esportistas acabam desenvolvendo um perfeccionismo exacerbado, que resulta em um baixo rendimento e pode ainda causar síndromes, como a de Burnout. Além do mais, de acordo com um estudo da Fundação Oswaldo Cruz, a chegada da pandemia fez com que mais de 80% dos atletas desenvolvessem estresse e ansiedade, sobretudo os mais perfeccionistas.
Em virtude dos fatos mencionados, fica clara a necessidade da tomada de medidas que atenuem o desenvolvimento de problemas psicológicos em atletas. Urge que as organizações esportivas, como o Comitê Olímpico Internacional, garantam apoio psicológico aos esportistas durante os campeonatos, a fim de que aprendam a controlar melhor suas emoções e lidem melhor com derrotas e outros problemas existentes durante os torneios. Desse modo, mais esportistas terão coragem, assim como Simone Biles, de assumir seus problemas mentais e reservar um tempo para tratar de sua saúde mental.