Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo

Enviada em 17/08/2021

A pandemia de 2020 estabelece um conjunto de demandas para todas as pessoas, em especial no Brasil, que não conta com políticas públicas específicas para lidar com a saúde mental em períodos pandêmicos. No entanto, no âmbito da Psicologia brasileira, tem-se notado ações pontuais em prol de políticas públicas a partir de determinadas instituições, inclusive junto ao setor esportivo, dentre elas a Associação Brasileira de Psicologia do Esporte (ABRAPESP). A despeito da ausência de legislação para atendimento especial à população durante esse evento, pesquisas indicam um aumento significativo da prevalência dos sintomas de ansiedade, depressão e estresse agudo entre os brasileiros . Segundo os resultados dessas pesquisas, a prevalência dos sintomas de estresse agudo aumentou de 6,9% para 9,7% nos primeiros 30 dias de quarentena no Brasil, ao passo que sintomas de depressão e ansiedade cresceram, respectivamente, de 4,2% para 8,0% e de 8,7% para 14,9%.

O primeiro fenômeno interessante foi a mudança drástica das modalidades esportivas e dos tipos de exercícios realizados entre os participantes, com o aumento significativo dos treinamentos funcionais (aqueles realizados sem muito deslocamento, em espaços mais apertados e que usam somente o peso do próprio corpo) em detrimento de modalidades tradicionais como natação, corrida ou ciclismo, que praticamente desapareceram durante o período de pandemia examinado. Isso significa que o confinamento mudou as práticas esportivas das pessoas em geral, o que também impacta na relação que a pessoa tem com o movimento.