Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo
Enviada em 17/08/2021
O filósofo francês Guy Debord, no seu livro “la societe du spectacle”, discorre sobre como os avanços tecnológicos pós Revolução Industrial tem moldado uma nova sociedade que está semelhante a um espetáculo de ópera. Para ele, o homem atual se importa cada vez mais em tornar-se interessante e “perfeito” numa tentativa de impressionar o corpo social, tentando “performar o seu melhor show”. Analogamente ao livro, percebe-se o prejuízo da ausência de discussão sobre a saúde mental no âmbito esportivo. Pois, vê-se a sociedade cada vez mais distante de reesignificar o ilusório significado da palavra “perfeição”. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação, que possui como causas: a falta de maiores investimentos no esporte e a falta de debates sobre o sentido da perfeição.
É indubitável, nesse contexto que a questão da falta de investimentos principalmente no Brasil, esteja entre as causas do problema. Sabe-se que a base de uma sociedade capitalista é o capital como explicam filósofos como Karl Marx. Nesse sentido, para serem resolvidos problemas dentro do contexto capitalista faz-se necessário investimento financeiro. No entanto, há uma lacuna de investimento na questão da Saúde mental no esporte que tem sido negligenciada, desde quando o atual Presidente da República Jair Bolsonaro cortou em 49% o orçamento para o esporte, segundo matéria de 2020 do portal UOL. O que torna sua solução mais difícil de ser alcançada.
Em consequência disso, surge a questão da falta de debate sobre a imagem que propagandas e ações de markenting passam sobre os atletas. O Filosofo Michel Foucault defende que, na sociedade pós-moderna, alguns temas são silenciados para que estrutura de poder sejam mantidas sem alteração do status quo. Marcas esportivas e campeonatos de todas as modelidades aproveitam da imagem de “robô” dos atletas sem a conscientização sobre a saúde mental. Com isso, a venda da perfeição é um facilitador para aumentar a lucratividade das marcas num mercado que visivelmente não possui investimento. Assim, sem diálogo sério e massivo sobre esse problema, sua solução está mais longe.
Portanto, infere-se que ainda há entraves para a solidificação de um mundo melhor. Dessa maneira, urge que o Ministério Público Federal e o Tribunal de Contas da União devem fiscalizar o destino dos investimentos brasileiros, a fim de remanejá-los a áreas que mais necessitam. Para que tal destinação seja coerente com a realidade brasileira. Já o Comitê Olímpico em parceria com marcas esportivas deve incentivar debates sobre o Markenting danoso feito sobre os atletas e com isso, dar mais liberdade aos atletas de aceitarem-se como seres-humanos passíveis de erros como qualquer outro, somente assim, haverá uma conscientização maior sobre a saúde mental do atleta.