Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo
Enviada em 18/08/2021
Em meio aos jogos olímpicos de Tóquio 2020, ocorridos em meados de 2021, a atleta Simone Biles - favorita a ganhar várias medalhas na ginástica artística - anunciou sua desistência de algumas categorias, em favor da própria saúde mental. Nesse contexto, aumanta-se a necessidade de debater sobre como a ausência de discussões sobre saúde mental no âmbito esportivo é prejudicial. Afinal, por um lado, há, diretamente, o dano no psicológico do atleta e, por outro, há, indiretamente, reflexos na sociedade.
Mormente, esportistas de alto desempenho, como Biles, são constantemente criticados e cobrados por resultados. Decerto, cabe a análise do sociólogo Zygmund Bauman, sobre como as relações humanas estão cada vez mais líquidas com a falta de empatia, nesse tema; pois, um atleta é tratado com uma pressão desumana pela qual é muito elogiado, mas, também, criticado fortemente por decepcionar a mídia e ao povo com determinados resultados que não os agradam. Logo, esse relacionamento do atleta com a pressão e a falta de atenção dada à esse tema causa quadros de ansiedade, síndrome de burnout e depressão, de acordo com Eduardo Cillo - psicólogo do Comitê Olímpico Brasileiro (COB).
Ademais, a figura do atleta, muitas vezes, é vista como um exemplo de disciplina e supreação.Nesse sentido, o posicionamento de Biles a respeito da proteção de sua saúde mental que demonstra autoconhecimento e maturidade, é positivo para a sociedade; visto que mostra como uma personalidade do esporte de alto rendimento também sofre com problemas psicológicos, o que desconstrói a figura idealizada que, normalmente, é atribuída a ela. Além disso, um estudo realizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que em 2030 a depressão será a principal causa de incapacitação, o que reforça a importância desse debate. Assim, a falta de discussão sobre esse tema no cenário esportivo reflete uma desatenção sobre isso no cenário popular.
Impende, pois, que órgãos como o Ministério da Saúde e o COB se unam para promover discussões sobre a importância da saúde mental dos atletas e como isso pode ser um exemplo para toda a população. Sendo assim, a capacitação, para analisar o lado do atleta, de profissionais da área da psicologia deve ser estimulada, além de instruir essas figuras que são exemplo de superação a se posicionarem, como fez Simone Biles, a respeito da importância dessa temática na vida de todos, por meio de “lives” em redes sociais. Espera-se, com isso, que as relações sociais tornem-se menos líquidas para que os atletas se sintam bem ao competir e continuem a inspirar a todos.