Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo

Enviada em 19/08/2021

Durante as Olimpíadas de Tóquio de 2020, a atleta americana Simone Biles desistiu de competições na ginástica feminina devido ao cuidado com a saúde mental, fato que chocou diversos telespectadores ao redor do mundo. Tal acontecimento, então, alertou a sociedade acerca da negligência do tema do equilíbrio psicológico em relação aos esportistas e sua busca por um alto desempenho. Dentre os prejuízos causados por essa ausência, destacam-se o desenvolvimento de patologias e a baixa autorrealização.

Em primeira análise, ressalta-se que o estigma relacionado ao tema da saúde mental no esporte contribui para o surgimento de doenças mentais. Conforme o eminente filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, a sociedade contemporânea é marcada pelo desempenho, ou seja, é marcada por cobranças internas que maximizam a autoexploração, gerando doenças neuronais como ansiedade e depressão. Sob essa perspectiva, a pressão e expectativa para o alcance de excelentes resultados nos esportes pode deteriorar o bem-estar mental dos atletas, aumentando o estresse e a autocobrança e ocasionando em problemas psicológicos graves que afetem sua vida. Dessa forma, torna-se necessário estabelecer medidas que discutam o tema do equilíbrio emocional dentre os esportistas.

Ademais, evidencia-se a não realização de conquistas  como consequência da falta de discussão sobre o bem-estar emocional dos atletas. De acordo com o psicólogo humanista Abraham Maslow, o sentimento de estima e confiança é uma necessidade básica para a autorrealização. Nesse contexto, a desconsideração com a discussão acerca da saúde mental dos esportistas pode prejudicar as suas conquistas em competições, uma vez que há negligência de suas vulnerabilidades e fragilidades, acarretando em maior pressão e autocobrança.

Torna-se fundamental, portanto, evocar o debate em relação ao bem-estar emocional, seja para reduzir os prejuízos na conjuntura patológica ou de realização. Para isso, atletas de alto nível, em conjunto com psicólogos e terapeutas, devem promover campanhas que conscientizem tanto a população quanto outros esportistas sobre a sua vulnerabilidade e a necessidade do cuidado com o bem-estar emocional. Isso será feito por meio das redes sociais - como Instagram, Twitter e Facebook -, com o objetivo de ampliar a discussão sobre suas limitações e prevenir patologias mentais. Com essas medidas, mitigar-se-á o ocorrido com Simone Biles e construir-se-á uma sociedade mais aberta e empática em relação à saúde mental.