Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo
Enviada em 24/08/2021
A saúde mental é um tema que vem sendo muito debatido recentemente, especialmente após o início da pandemia, quando os casos de depressão, ansiedade, bournout, entre outros apresentaram elevados índices. Entretanto, esse problema não é de hoje e, recentemente, por conta das Olimpíadas de Tokyo, o assunto que antes era somente discutido por pessoas ditas normais, passou a ter um novo público-alvo: os atletas. Essa abertura para a discussão voltada aos nossos heróis tornou-se gigantesca, principalmente por ela não ter sido abordada antes - já que a relação dos atletas com a saúde mental não é de hoje - trazendo à tona o preconceito e a negligência da sociedade com os esportistas.
“Ele é fraco. Fica falando que está com baixo rendimento por conta de problemas mentais”. Essa é uma frase que ouvimos frequentemente quando algum atleta ousa, corajosamente, falar publicamente sobre a sua saúde mental. Por conta disso, a maioria dos profissionais de alto rendimento, sejam eles do futebol, vôlei, ginástica, tênis, entre outros não falam sobre os problemas que enfrentam relacionados à mente, pois sabem que ao mesmo tempo em que a sociedade amadureceu em relação aos transtornos mentais e entende a sua importância, esse crescimento é somente para as pessoas consideradas normais e não se aplica aos nosso heróis. Heróis que sofrem grande pressão tanto por parte da população em geral como dos que os patrocinam - como é o emblemático caso da Simone Biles, que desistiu de competir algumas finais dos Jogos Olímpicos para preservar a sua saúde mental -, que esperam que os atletas estejam sempre em seu melhor momento e, que quando não estão, são obrigados a ouvir falas e comentários preconceituosos como o da frase supracitada.
Ademais, percebe-se que além dessa pressão social e preconceito imposto aos atletas, há uma enorme negligência por parte da sociedade e dos clubes - caso seja um esporte praticado em clubes. Essa indiferença se dá quando não é comentado sobre o assunto, não há um trabalho contínuo com a sociedade normalizando falar sobre a saúde mental e não têm ou não são suficientes a quantidade de profissionais capacitados para apoiarem os atletas, como é o caso do Campeonato Brasileiro, que segundo uma reportagem da ESPN, 12 dos 20 clubes da Série A não tinham um psicólogo que acompanhavam os jogadores.
Por conta disso, cabe a mídia - como um sistema que atinge à todos - criar projetos que visem o debate e a conscientização sobre a importância da discussão a respeito dos transtornos mentais. Esses projetos poderiam ser incluídos nos programas voltados para o esporte e nas redes sociais, através de hashtag ou publicações para que, dessa forma, possamos evitar e contestar o preconceito e as negligências com os atletas quando o assunto é saúde mental.