Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo

Enviada em 20/08/2021

O nadador estadunidense Michael Phelps - o maior medalhista olímpico da história, admitiu, em comunicação pública, sofrer de depressão e ansiedade, o que o fez desenvolver o alcoolismo. Paralelamente, não é incomum que atletas com os mais altos níveis de rendimento precisem lidar com os prejuízos de uma saúde mental fragilizada. Nesse contexto, é evidente que esse triste flagelo é fruto da ausência de discussão sobre as faculdades mentais no âmbito esportivo. Com efeito, é fato que tal problemática advém de uma mídia que promove uma imagem idealizada dos esportistas e negligencia o bem-estar psicológico deles.

Diante desse cenário, cabe destacar que os meios de propaganda fomentam um ideário - errôneo - de que atletas são super-humanos. Nesse sentido, no seu livro “Simulação e Simulacro”, o escritor Jean Baudrillard afirma que as pessoas refletem o que é divulgado na mídia. Sob essa óptica, é evidente que a sociedade baseia suas expectativas - extremamente altas - num complexo midiático que alavanca as habilidades dos atletas a níveis sobre-humanos, completamente irreais, o que, consequentemente, amplia a tensão sobre os competidores. Assim, enquanto a idealização humana for comum no ambiente esportivo, a discussão sobre a saúde psicológica dos atletas será a exceção.

Acerca disso, é válido ressaltar que negligenciar a saúde mental das pessoas é danoso para o indivíduo - independente do estereótipo criado pelos meios de comunicação. Nessa lógica, no longa metragem “Vingadores: Ultimato” o deus do trovão, Thor, é acometido pela depressão e, assim como o nadador americano, torna-se vítima do alcoolismo. Entretanto, retratar uma figura prestigiada dessa forma vai de encontro a concepção comum compartilhada pela mídia de que pessoas notáveis são inabaláveis e não passam por problemas pessoais. Dessa forma, é visível que a maior parte do conteúdo a respeito de heróis e atletas - que servem de inspiração e espelho para substancial parcela da população - é representada de forma antagônica a do filme supracitado.

Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para mitigar os prejuízos causados pela falta de comunicação a respeito da saúde mental dos esportistas. Nessa perspectiva, é imperioso que o Ministério da Saúde, em conjunto com as entidades esportivas, por meio de verbas públicas, disponibilize psicólogos para os atletas brasileiros, que irão agir de maneira preventiva as patologias psicológicas, com a finalidade de reduzir os casos de depressão e ansiedade entre os competidores de alto nível. Outrossim, é fulcral que o complexo midiático, por intermédio de uma reformulação nas suas propagandas, passe a representar os atletas como pessoas comuns, que também possuem problemas, a fim de retirar o esteriótipo de super-humano que essa classe carrega.