Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo

Enviada em 20/08/2021

Nas Olimpíadas de Tóquio, a ginasta norte-americana Simone Biles decidiu abandonar as provas para cuidar de sua saúde mental. O ocorrido com a atleta ilustra um triste acontecimento do mundo contemporâneo, no qual, devido à indiferença para com a mente dos desportistas, esses são alvos de imensa pressão externa, e pensam que não podem errar. A fim de mitigar tal mazela, é preciso analisar esses pontos e suas implicações.

Em primeiro lugar, é necessário apontar como essa negligência se dá fora do âmbito esportivo. Segundo o sociólogo francês Émile Durkheim, a visão dos indivíduos numa sociedade é moldada pelo fato social - maneira coletiva de agir, pensar e sentir. Nesse sentido, graças à ausência de discussão sobre segurança psicológica, tem-se, no imaginário coletivo, o pensamento de que, por serem bem-sucedidos ou excelentes, os atletas não têm problemas. Dessarte, cria-se uma grande pressão sob os mesmos, tal como se vê na série Sex Education: em virtude da forte influência de sua mãe, o personagem Jackson, exímio nadador, se esforça excessivamente, e chega a machucar a si próprio para parar de treinar. Evidencia-se, então, a necessidade de um maior debate.

Por consequência, observa-se que o êxito se torna uma obrigatoriedade para o atleta. Acerca disso, sabe-se que, ao se deixar de reiterar que os esportistas não são infalíveis ou inerrantes, esses passam a ver o desempenho impecável como o único possível, e a falha, que deveria ser vista com normalidade, como algo temido, e, consequentemente, inaceitável. Isto posto, infelicidades, como a depressão do premiado nadador Michael Phelps, que admitiu à ESPN em 2020 a dificuldade em enxergar que não era perfeito, tendem a acontecer. Assim, faz-se crucial um melhor tratamento no tocante a esse ponto.

Portanto, visando à erradicação da displicência sobre saúde mental no ambiente em questão, os elementos midiáticos, responsáveis por parte majoritária da veiculação de informações na sociedade, devem promover o diálogo sobre o psicológico no esporte. Isso deve ser feito por meio de palestras, entrevistas e rodas de conversa com psicólogos, especialistas sobre saúde mental e atletas, de modo a expor ao público a visão médica, mostrar o lado dos envolvidos, e, com isso, normalizar desportistas não se sentindo bem. Desse modo, o acontecido com Biles pode, cada vez mais, se tornar inusual.