Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo

Enviada em 20/08/2021

Em sua obra Antígona de 442 aC, o dramaturgo grego Sófocles retrata o embate entre o direito natural e o direito positivo –o que, na contemporaneidade, remete a humanidade à reflexão de que o direito deve ser garantido afim de que se viva dignamente. Para tanto, compete-lhe ser universal, pois uma sociedade somente progride quando um mobiliza-se em função do outro. Entretanto, em pleno século XXI, há desafios para amenizar os prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo, o que viabiliza carência governamental voltada para uma sociedade saudável.

Indubitavelmente, as autoridades esportivas já desenvolvem - mesmo a passos lentos- ações que viabilizam caucionar o anteparo e integridade populacional. Nesse sentido, menciona-se, por exemplo, o amparo psicológico ofertado aos atletas durante o período de preparo físico, cujo objetivo é não apenas ajudar a lidar com a carga de estresse, mas também prevenir doenças mentais. Isso, demonstração que há intento dos comitês esportivos em garantir os direitos inerentes à cidadania, como local por Sófocles.

Entretanto, medida pontual como essa não é suficiente capaz de atenuar os dilemas tocantes aos prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo, pois, observado-se, durante os jogos olímpicos ocorridos em Tóquio, um grande número de atletas desistentes em decorrência de problemas mentais, um exemplo do atleta Simone Biles - ganhadora de inúmeros ouros - que cedeu à pressão, segundo dirigentes da CNN. Isso decorre da ineficácia no desenvolvimento das competências psicológicas pelos comitês olímpicos e, consequentemente, à falta de habilidades intrapessoais e interpessoais que desenvolvem o ance esportivo - realidade intrinsecamente relacionada ao precário debate sobre saúde mental, ora ofertado ao maior contingente populacional no mundo, inaptos a formar para a saúde mental. O fato é que não se vivenciar saúde no esporte, enquanto o Comitê olímpico não pautar o sistema de treino em competências psicológicas. Afinal, “embora sábio, um homem jamais deve se envergonhar de aprender mais", corrobora Sófocles.

Compreende-se, pois, a necessidade de maiores investimentos em saúde mental pelos responsáveis. Para tanto, é prudente que o comitê olímpico não só modifique seu grau de treino - através dos países parceiros - para contemplar desde o início a formação de competências psicológicas, mas também desenvolva, em parceria com a comunidade, debates sobre os prejuízos da falta de discussão sobre a saúde mental no âmbito esportivo e seus danos sociais, um fim de que se diminuir o tabu sobre o tema. Dessa forma, será formada uma sociedade à luz do esporte saudável.