Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo
Enviada em 23/08/2021
Nos esportes, o anseio por melhores resultados e a constante relação da imagem corporal e desempenho físico, pode favorecer a distorção da percepção corporal no atleta, e induzir a adoção de comportamentos de risco para transtornos alimentares, como método para se atingir um padrão corporal compatível com a modalidade praticada. Certamente, muitos dos grandes atletas tem problemas psicológicos tais como: ansiedade, transtornos alimentares, etc. Esses problemas se desenvolvem pela pressão dos fãs e dos técnicos sobre os atletas e pela competição entre times rivais. Possivelmente, o maior problema dos atletas possa ser a pressão em que colocam em si mesmos, fazendo com que ultrapassem seus próprios limites, trazendo tanto consequências boas, quanto ruins.
“Eu treinava com olheiras, porque tomava laxante. Passar a noite inteira no banheiro para manter o peso era uma desvantagem competitiva. Outras ginastas conseguiam vomitar e podiam dormir. Eu tentei a bulimia. Me ajoelhei na frente da privada, levantei a tampa e enfiei o dedo na garganta. Ânsia, ânsia, ânsia e nada. Tentei outras noites: um dedo, dois dedos, três dedos, a escova de dentes…” esses foram os relatos de Angélica Kvieczynski para o site UOL em 2019. Os transtornos alimentares são graves distúrbios psiquiátricos sendo considerados complexos problemas de saúde. De 1% a 4% da população em geral é diagnosticada com anorexia e bulimia nervosa, respectivamente. Entretanto, estudos relatam maior frequência de distúrbios alimentares em atletas do que em não-atletas, visto que cerca de 40% desses indivíduos adotam comportamentos alimentares desordenados.
Michael, atacante do Flamengo, volta e meia é alvo de muitas críticas vindas de torcedores e até de comentaristas de futebol. Algumas, claro, são justas. Todo atleta pode - e deve - ser criticado quando merecido. Outras são exageradas. Muitas passam do limite do aceitável. Também nesta semana, o jogador confessou que, durante a passagem de Jorge Jesus pelo clube, chegou a pensar em suicídio. Michael teve depressão, como ele mesmo afirmou: “Eu tive depressão ano passado. Tava no hotel na época e queria me suicidar. Queria saber como era me jogar do prédio. Aí eu gritei por socorro.”
Primeiro de tudo, os próprios atletas, claro, têm problemas para aceitar que precisam de ajuda. O debate sobre os problemas psicológicos, precisam urgentemente serem mais espalhados. Tratados da forma como merecem: com seriedade, abrindo os ouvidos e as orelhas para que, cada vez mais, os atletas também possam se abrir. Pra que não sejam julgados e vistos como fracasso por admitirem seus problemas. Pra que mais nenhum atleta de alto rendimento prejudique ou até mesmo tire sua própria vida.