Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo
Enviada em 22/08/2021
Mente e corpo
A ginasta Simone Biles, dos Estados Unidos, surpreendeu o mundo ao abandonar a final por equipes da ginástica artística e depois a final individual geral nas Olimpíadas de 2020. Aos 24 anos e um dos maiores nomes do esporte, Simone Biles carregava as expectativas de todas as audiências do planeta em seus ombros. A decisão da ginasta traz à tona a discussão acerca dos impactos da pressão psicológica para a saúde mental dos esportistas. Simone Biles disse: “Eu tenho que focar na minha saúde mental”, “Temos que proteger nossas mentes e corpos, e não apenas ir lá [competir] e fazer o que o mundo quer que façamos”.
Segundo especialistas, a pressão sofrida por atletas de ponta pode levar a quadros de depressão. A ansiedade contribui para a ativação de áreas do cérebro que levam a um desempenho mais eficiente. No entanto, em excesso, ela pode ter o efeito contrário e ocasionar um baixo rendimento. De acordo com o psiquiatra Saulo Ciasca “Uma pessoa sob muita pressão fica muito ansiosa e vai ter um desempenho pior por conta disso. Cai a concentração e diminui o autocontrole”. Se um atleta não está afetado emocionalmente, isso irá repercurtir durante as competições, o desequilíbrio emocional, a ansiedade, o estresse e a pressão podem fazer com que os resultados sejam negativos, o que pode levar à depressão.
A ansiedade acompanha o atleta a vida toda, São entradas e saídas constantes de competições, além de uma vida de restrições e cobranças internas e externas. Um bom desempenho numa competição depende de um atleta que esteja bem técnica e emocionalmente, com a saúde mental bem preservada.
Logo, o treinamento dos atletas deve priorizar aspectos voltados para o cuidado da saúde mental. O foco deve estar nas instituições e em uma política de saúde mental para toda a população, inclusive atletas.