Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo
Enviada em 25/08/2021
Segundo o historiador Yuval Noah Harari, por enfrentar-se diariamente informações em excesso do mundo contemporâneo, o comportamento, como um produto dessa vivência, também são afetados. Não tão distante, recusar-se a dialogar sobre saúde do competidor brasileiro o torna fragilizado tanto emocional como fisicamente, uma vez que, além de o privar de ferramentas para compreender os impactos de sua mente no seu estado pessoal, afeta seus rendimento e seu modo de agir.
Sob primeira análise, a questão mental na contemporaneidade, quando não é conhecida pelo próprio atleta, torna seu psicológico um empecilho ao seu fisiológico. Nesse viés, ademais da própria pressão interna que envolve sua carreira e orgulho pessoal, quando se adiciona a visibilidade midiática, expandida pelo fluxo de informações, de um atleta durante as competições, cria-se um ambiente de relação parassocial em que os que assistem projetam suas expectativas no competidor, e ele, por não saber, as absorve inconscientemente. Em decorrência desse cenário, ele fica pressionado por fora e dentro, o que na visão do sociólogo Byung-Chul Han, configura-se como sobrecarga mental, quando as pessoas são bombardeadas de informação, fruto da intensa interconexão entre os aparelhos, indivíduos e conhecimento. Desse modo, quadros de fadiga mental e até de ansiedade social podem ser potencializados, mesmo que o esportista nem saiba o porquê.
Não menos importante, em virtude dessa atitude automática, as competições e treinos são afetadas. Nessa seara, pelas condições de ansiedade e perfeccionismo propiciadas pela pressão, o indivíduo passa a ser exigente consigo para além de suas capacidades, como uma internalização do que ele deveria ser, não para si, mas para os outros. Em vista essa conjuntura, o competidor pode se decepcionar com os resultados, se auto sabotar nos treinos e, em último caso, desistir da carreira pelo cansaço. A exemplo desse construto, na série “Haikyuu”, o atacante do time de vôlei, Hinata, constantemente hesita nos treinos e se questiona sobre desistir do esporte em função de se comparar com os outros atletas já que não é tão alto nem efetivo como eles.
Em detrimento do mencionado, no Brasil, havendo o palco em que saúde mental não é difundida entre os atletas, piorando suas capacidades físicas e estado moral, é vital que haja medidas remediadoras. Para isso, cabe ao Ministério do Esporte e da Saúde construir um ambiente de conscientização para os profissionais, o que poderia ser feito por intermédio do fornecimento de consultas, pelo menos anuais, com psicólogos qualificados pelo último nos centros esportivos do primeiro. Nessa perspectiva, as pessoas seriam instruídas pela terapia a entenderem como e porque passam por esse estresse, de maneira que, conscientes, a não se culpem nem se cobrem mais que o necessário.