Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo

Enviada em 25/08/2021

Historicamente, a Revolução Técnico-Científico e Informacional, ocorrida a partir de 1970, foi responsável pela ampliação na produção e consumo dos aparelhos digitais -computadores e celulares. Portanto, com o crescimento das mídias digitais houve o avanço de diversos problemas relacionados à saúde mental, pois o ambiente virtual retrata apenas estilos de vida incompatíveis com a realidade, como indivíduos sempre felizes e satisfeitos com a profissão, estilo de vida e corpos além de não possuírem nenhum problema emocional. Logo, os prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo reflete nos insumos existentes nas redes sociais, que baseiam-se na busca pela perfeição corpórea e de rendimento em detrimento do bem estar.

A príncipio, o filósofo contemporâneo Zygmunt Bauman, ao estudar o impacto das tecnologias de informação na sociedade, intitulou o termo “Mundo Líquido” ao referir-se às relações interpessoais. De acordo com o intelectual, a necessidade diária de enquadrar-se aos modismos ditados pelo capitalismo -usufruir de determinado estilo, padrão corporal e situação financeira- exemplifica a liquidez atual, em que os indivíduos tornaram-se moldáveis a determinado pré-requisito do sistema lucrativo. Desse modo, a situação de exaustão dos atletas reflete na ausência de acompanhamento emocional com terapeutas, pois a necessidade constante de melhorias a fim de atingir um determinado tempo, peso e/ou rendimento não reflete necessariamente ao incremento da saúde mental do indivíduo.

Nesse sentido, a socióloga Hannah Arendt, ao analisar o alicerce de regimes totalitários no mundo criou o ideal de “Banalização do Mal” ao referir-se a falta de compaixão e responsabilidade individual perante as atrocidades ocorridas em sociedade. Atualmente, esse processo tornou-se diário com as redes sociais, pois o compartilhamento excessivo de informações e notícias -em suma ruins- tornaram os seres humanos acostumados com a presença da maldade nas relações pessoais, o que ocasiona o comodismo relacionado a modificação de desigualdades e a abusos. Portanto, a normatização do sofrimento para atingir determinada perfeição na contemporaneidade, promove o avanço de problemas sociais -ansiedade e depressão- entre os atletas.

Afinal, torna-se fundamental para combater os prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo que o Ministério da Saúde institua obrigatoriamente a participação dos atletas a sessões de terapia. Para isso, é necessário a instrução dos treinadores esportivos, a partir de palestras ministradas pelo Poder Executivo, ao relato aos psicólogos/psiquiatras da situação emocional dos indivíduos. Somente assim, ocorrerá a melhoria na saúde mental dos atletas, com o tratamento específico a fim de acabar com a necessidade de perfeição estimulada pelas mídias digitais.