Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo
Enviada em 28/08/2021
Sob a perspectiva filosófica de Michel Foucault, em sua obra “História da loucura”, cada período histórico possui uma definição singular acerca dos doentes mentais, assim como uma maneira de inseri-los na sociedade. Atualmente, no Brasil, nota-se que a discussão sobre saúde mental e os transtornos que podem vir a desenvolver-se não é efetiva, e no âmbito esportivo menos ainda, observa-se também o baixo envolvimento do poder público nas políticas de saúde psicológica no ramo esportivo.
Em um meio onde os competidores vivem sob pressão a discussão sobre o tema torna-se de extrema relevância, visto que o cenário é propicio ao desenvolvimento de distúrbios mentais preocupantes e quando não diagnosticados e tratados adequadamente, podem acometer a vida profissional do indivíduo, em razão de as enfermidades mentais serem erroneamente associadas à falta de autocontrole dos doentes. Nesse viés, as situações estressantes, como por exemplo, uma competição, a pressão do público e o excesso de treinamentos, desencadeiam sintomas de potenciais transtornos mentais, tanto do humor, depressão, ansiedade, quanto de personalidade, como o transtorno de borderline.
Tratando-se de questões internas dos indivíduos, observa-se que os sintomas e os aspectos das doenças psicológicas são distorcidos e banalizados, e pela ausência de apoio e acolhimento de seu meio social, o número alarmante de enfermos com esses sintomas subiu consideravelmente nos últimos anos.
De acordo com a AMSSM, os médicos do esporte são treinados para fornecer cuidados abrangentes aos atletas, incluindo o gerenciamento de distúrbios de saúde mental e estão aptos a detectar alterações cedo e intervir adequadamente. Porém na realidade tudo se torna uma constante busca pelo sucesso e remuneração onde há casos que esses sintomas são ignorados e o atleta chega ao colapso, como ocorreu com a atleta Simone Biles que desistiu de disputar a final do solo nas Olimpíadas de 2021em Tóquio.
Nesse sentido, urge que o Ministério da Saúde, em parceria com a Associação Brasileira de Psicologia do Esporte, crie projetos de extensão, como campanhas, anúncios em redes sociais e emissoras de tv, falando sobre o assunto incentivando o acompanhamento dos atletas com psicólogos. Outrossim deveria implantar-se uma lei onde os órgãos organizadores de competições profissionais exigissem obrigatoriamente comprovantes de acompanhamento psicológico dos atletas.