Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo
Enviada em 29/08/2021
Em “A República”, o filósofo grego Platão idealiza uma cidade livre de desordens, em que a população trabalha em conjunto para superar as dificuldades. Fora da ilustre produção literária, com ênfase no cenário esportivo brasileiro, nota-se o oposto dos ideais de Platão, uma vez que a falta de preocupação com a saúde mental dos atletas os impede de conhecer seus limites e os sujeita a graves riscos. Assim, faz-se vital analisar as principais causas da problemática: um Governo que não oferece o suporte essencial aos seus atletas, bem como círculos da sociedade civil que apenas reforçam a necessidade desse suporte, depositando expectativas irreais e prejudicando o bem-estar dos esportistas.
De acordo com o artigo 1o da Declaração Universal dos Direitos Humanos, todos os indivíduos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. Apesar disso, a determinação do que consta o Artigo não é cumprida, visto que o Estado não oferece aos seus atletas a assistência psicológica crucial para plena prática de sua profissão, os deixando sujeitos a estresse, ansiedade e depressão, entre outros transtornos psicológicos que acabam prejudicando suas performances. Fica claro, portanto, que as autoridades competentes devem, com urgência, amparar esses atletas e evitar que estes acabem tendo que interromper suas carreiras por causa dessa problemática.
Ademais, é fundamental explorar o impacto negativo da pressão colocada nos esportistas por torcedores de todo o país, acentuada com o advento das redes sociais, como outro agente influenciador do revés. Em virtude de suas capacidades físicas avançadas, os atletas são vistos por alguns cidadãos como “superhumanos”. Ao falhar em enxergar a humanidade dos atletas, estes torcedores acabam por depositar sobre eles expectativas irreais, bem exigir perfeição de seus resultados. Os atletas, por sua vez, são esmagados pelas expectativas inalcançáveis dessas milhões de pessoas e tem sua saúde mental prejudicada. Por isso, é de suma importância que medidas sejam tomadas para alteração do quadro negativo que tanto corrompe o bem-estar dos atletas brasileiros.
Em síntese, a fim de atenuar o problema da ausência de preocupação com a saúde mental no cenário esportivo, como também as cobranças irreais dos torcedores, o Estado Brasileiro deve, mediante verbas governamentais, criar as condições necessárias para a existência de assistência psicológica nos ambientes de prática esportiva do país, bem como mecanismos para se certificar do sucesso dessas políticas. Adicionalmente, o mesmo deve, por meio de seus ministérios, criar campanhas com o objetivo de conscientizar os seus cidadãos do impacto negativo que a pressão excessiva tem nos atletas. Dessa maneira, ao menos no âmbito esportivo, a sociedade brasileira poderá chegar mais perto das convicções platônicas.