Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo

Enviada em 29/08/2021

Durante as Olimpíadas de Tóquio, realizadas no ano de 2021, surgiu uma ampla discussão sobre a importância de debater a saúde mental dos atletas, uma vez que a ginasta Simone Byers abriu mão de participar da prova individual, a fim de proteger sua mente. Logo, torna-se necessário trazer o tema à tona, pois sem discuti-lo, as pessoas que trabalham com o atletismo podem findar encontrando-se em situações abusivas e extremamente desgastantes, o que prejudica, também, seu desempenho.

Primeiramente, convém citar o documentário realizado pela Netflix, Atleta A. Nessa peça cinematográfica, são expostos relatos de diversas atletas que foram sexualmente abusadas por seus treinadores. Assim, as profissionais afirmam que a liga de ginástica dos Estados Unidos, isto é, a que treina e leva ginastas para as Olimpíadas, não tinha um setor psicológico que trabalhasse de maneira eficaz com as garotas. Em outras palavras, a saúde mental de cada uma delas era seriamente comprometida pela falta de cuidado da liga com o assunto, fator que gerava um ambiente de trabalho abusivo. Em adição a tais histórias, menciona-se a psicóloga norte-americana, Clarissa Pinkola Estés, segundo a qual a mente de uma mulher, assim como a de todos os seres humanos, precisa estar sob constante cuidado para que possa ser levada uma vida de bem-estar.

Além disso, é importante lembrar a emocionante narrativa que Thiago Braz, medalhista olímpico em salto com vara, traz, acerca de sua vida. Conforme o que contou ao SporTV, Thiago passou longos anos mergulhado em uma depressão profunda, após bater um recorde mundial nas Olimpíadas de 2016. Ele continua, afirmando que não teve contato com profissionais da psicologia e seu desempenho apresentou uma queda que o assustou, e reconhece que grande parte da pressão que sentia, se referia a não conseguir obter a produtividade que desejava. Dessa forma, Thiago alega que é preciso ter uma atenção especial para com a saúde mental dos atletas, pois estão sob constante demanda de atingir melhores resultados, pelo que se tornam propícios a desenvolver transtornos que prejudiquem seus sonhos. O saltador conclui dizendo que, para alguém que considera o esporte como sua própria vida, ter essa paixão destruída por problemas mentais é avassalador.

Por fim, tem-se que o Ministério da Cidadania deve promover a discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo. Isso pode ser feito por meio da organização de uma agenda de palestras, vivenciadas em todas as regiões do Brasil, relacionadas à importância de manter contato com um psicólogo, e de realizar um trabalho acolhedor para com os atletas. Além disso, pode-se, também, criar um fundo governamental que pague psicólogos públicos, que lidarão com esses esportistas. Dessa maneira, os profissionais do esporte encontrarão alívio e poderão proteger, simultaneamente, corpo e mente.