Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo

Enviada em 01/09/2021

Lima Barreto, em seu livro “Os Bruzundangas”, criticou vários aspectos do Brasil na primeira metade do século XX, mormente no que tangia às mazelas sociais. No entanto, apesar do tempo decorrido desde a publicação da obra, ainda hoje se faz necessário apontar e discutir inúmeros problemas que subsistem no país, destacando-se, por certo, a problemática dos prejuízos ao atleta devivo a ausência de discussão sobre saúde mental, a qual ocorre, infelizmente, em razão da negligência governamental e da sociedade.

Em primeira análise, nota-se que a Constituição Cidadã de 1988 assegura a todo brasileiro o direito à saúde. Entretanto, esse direito não é efetivado. Isso é explicitado na medida em que observa-se atletas, como é o caso de Simone Biles: atleta olímpica que desistiu de participar da final no solo por conta de problemas com sua saúde mental, desistindo por não se sentir apta o suficiente a lidar com críticas e mal desempenho. Assim sendo, cabe lembrar das ideias do contratualista John Locke, o qual dizia que o indivíduo, por ter sua relação com o Estado baseada na confiança mútua, pode, sempre que essa confiança for rompida - como no desrespeito supracitado à Carta Magna -, rebelar-se e reivindicar seus direitos. Dessarte, é dever do cidadão exigir o cumprimento da lei maior.

Outrossim, a própria sociedade é responsável pela manutenção do problema. Tristemente, grande parte da população brasileira trata o atleta de alta perfomance de tal modo a desdenhar suas emoções, quase como se esquecesse que ele também é humano, atacando com palavras de baixo calão e agravando ainda mais a situação. Isso ocorre porque o indivíduo não é capaz de incentivar o atleta e dar o suporte necessário para superar as dificuldades. Todavia, segundo o pedagogo Célestin Freinnet, é possível superar qualquer pensamento errôneo já estabelecido em uma sociedade, bastando, para isso, o desejo de mudança dos agentes sociais. Portanto, uma mudança nos valores do corpo social é fundamental para mitigar os prejuízos da precariedade no acompanhamento psicológico no âmbito esportivo.

Diante dos fatos citados, é fulcral que o Estado, por meio de uma parceria entre o Ministério da Saúde com o Ministério da Educação, crie um projeto para ser desenvolvido nas escolas e ambientes esportivos, o qual promova palestras e atividades lúdicas a respeito da importância do acompanhamento médico no desenvolvimento do atleta, bem como melhorar a disponibilidade de profissionais capacitados para aquele. Se assim for feito, o Brasil estará um passo mais próximo de deixar de ser o país que Lima Barreto criticava, para tornar-se um país desenvolvido de fato.