Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo

Enviada em 03/09/2021

Na Constituição Brasileira de 1988, consta em seu artigo 6º o direito a todos cidadãos a respeito da sua saúde. Todavia, esse direito não se presencia na prática quando se observa a ausência de discussão sobre a saúde mental de atletas. Ainda na Constituição, consta que as empresas são responsáveis pela saúde de seus funcionários, logo, os clubes e federações esportivas têm como obrigação cuidar do psicológico de seus atletas. Faz-se necessário entender os fatores que levam às crises mentais em esportistas e quem são os responsáveis.

Em uma primeira análise, está claro que atletas de alto nível são funcionários de grandes empresas (clubes e/ou federações). Portanto, esses empregadores devem ser cobrados sobre a saúde dos atletas que sofrem grande pressão e exigência por resultados. A cobrança deve ser feita por parte do Governo Federal, como forma de garantir o “contrato social” pensado por John Locke, para assegurar direitos fundamentais como a saúde.

Todavia, a imprensa esportiva tem grande colaboração no agravamento do problema. A grande exposição de um atleta, com puro objetivo de lucrar com a paixão de grupos de pessoas, gera alta expectativa e com isso vem a cobrança por resultados. Caso de Michael, atacante do Flamengo. O jovem jogador, eleito grande revelação do Campeonato Brasileiro de 2019, foi contratado por um dos maiores clubes do país. Infelizmente, Michael não teve o desempenho correspondente a tal expectativa e com a cobrança chegou a pensar em suicídio.

Portanto, se torna fundamental garantir a saúde mental dos esportistas. Para tal, se faz necessária a cobrança, por parte do Governo Federal por meio de novas leis, para que clubes cuidem melhor de seus atletas, exigindo acompanhamento psicológico constante, e para que a imprensa seja mais cautelosa com suas manchetes, evitando cobrança desmedida. Com tais medidas, pode-se esperar que menos casos de crises mentais em atletas aconteçam, melhorando sua qualidade de vida.