Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo

Enviada em 05/09/2021

Desde o início das medidas de isolamento, que ocorreram em razão da pandemia, muito se tem falado sobre saúde mental no geral, e durante o período das olimpíadas de Tóquio em 2021 foram levantados questionamentos sobre a saúde mental nos esportes. Dentre os atletas olímpicos muitos relatam sofrer com crises de ansiedade e em casos mais graves, quadros depressivos.

O destaque olímpico em 2021 foi a renúncia da atleta americana Simone Biles em participar das competições em grupo, ela declarou que iria se afastar para cuidar da saúde mental e que não poderia prejudicar as colegas de time que lutaram muito para chegar onde estão. Essa decisão importantíssima que Simone teve motivou a declaração de muitos outros esportistas que estão sofrendo com a pressão que é colocada sobre eles no esporte. Assim como Simone, a tenista Naomi Osaka, relatou viver fortes crises de ansiedade, que fizeram com que ela desistisse de dois grandes jogos no mundo do tênis. Muitas vezes as crises de ansiedade e os problemas relacionados a saúde mental são escondidos, por vergonha, por medo, porque os atletas não querem ser julgados como pessoas fracas. Esses tipos de pensamentos têm sua origem no preconceito, não há nada de errado em pedir ajuda, as vezes é necessário dar um passo para trás como Simone fez e se priorizar. A sociedade e os governos colocam muita expectativa nos seus esportistas, e isso faz com que muitos deles adoeçam, pois sentem que não podem falhar.

Diversos esportistas passam por quadros depressivos, como é o caso da ciclista neozelandesa, Olivia Podmore, que se matou pouco tempo após ter perdido a chance de concorrer nas olimpíadas em 2021, embora o motivo do suicídio ainda estar em investigação, o fato de não ter se classificado pode ter sido uma força motriz para que o ato fosse cometido. Ao chegar nesse grau a pessoa da sinais, no caso de Olivia ela havia postado em suas redes sociais sobre a pressão de ser atleta e competir em alto nível, ela relata como o sentimento de perder é diferente de tudo. É criado um sentimento muito forte na sociedade que os atletas podem superar tudo, e esse sentimento de invencibilidade faz com que o falhar ao perder uma competição seja algo grave, fazendo com que em casos mais extremos muitos atletas abandonem as competições, usem drogas, ou cometam suicídio.

No Brasil o Ministério do Educação em parceria com o Governo Federal e as escolas, poderiam fornecer palestras e vídeos, dentro das escolas e praças públicas demonstrando que a saúde mental nos esportes é importante, e que deve ser discutida. Pois assim, será engendrada uma nova geração de atletas mais saudáveis, que se importam com sua saúde mental, e que sabem o seu limite. Isso impacta em uma sociedade mais consciente e que pode oferecer um apoio maior aos seus esportistas.