Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo

Enviada em 07/10/2022

O romance filosófico “Utopia”, criado pelo escritor inglês Thomas More- retrata uma civilização perfeita e idealizada, na qual a engrenagem social é altamente segura e desprovida de conflitos e problemas. Tal obra fictícia, no entanto, diverge substancialmente da realidade contemporânea, uma vez que a ausência de discussão sobre a saúde mental no âmbito esportivo ainda é um problema no Brasil, de modo a dificultar a solidificação dos Planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da inoperância estatal quanto da falta de aproximação pessoal.

Em primeira análise, deve-se destacar a ausência de medidas para combater o estresse psicológico sofrido pelos atletas. Sob a perspectiva do filósofo contratualista Jonh Locke, o Estado foi criado por um pacto social para assegurar os direitos fundamentais dos indivíduos e proporcionar relações harmônicas. Entretanto, é notório o rompimento desse contrato social no cenário hodierno brasileiro, visto que, devido à baixa atuação das autoridades, os tratamentos precários e a omissão de informação sobre esse fato social grave contribuem para a permanência dessa problemática. Destarte, fica evidente a ineficiência da máquina administrativa na resolução dessa conjuntura caótica.

Além disso, a carência de aproximação pessoal apresenta-se como outro desafio para o revés. De acordo com o sociólogo Zymunt Bauman, as relações sociais se liquefizeram no mundo globalizado, o que resultou na redução de laços afetivos das comunidades. Tal conceito abordado é materializado no Brasil, haja vista que as interações sociais dentro do âmbito esportivo diminuíram durante a modernidade, o que, consequentemente impossibilitou os profissionais do esporte a falarem sobre a sobrecarga psicológica.

Infere-se, portanto, a necessidade de medidas públicas para a resolução dos entraves. Para tanto, cabe ao Congresso Nacional do Esporte investir na saúde dos atletas brasileiros. Isso será feito por meio de programas de acompanhamento psicológico em toda a trajetória do indivíduo, com consultas e exames periódicos. Dessa forma, poder-se-á concretizar a “Utopia” de More na socieade brasileira.