Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo

Enviada em 19/09/2021

Na série audiovisual ‘‘Atypical’’, uma das protagonistas é uma corredora que lida com uma forte pressão externa, o que põe em risco o desempenho da atleta. Em concessão com a realidade, a saúde mental dos atletas não é vista como prioridade durante o perído de preparação para alguma competição, os prejudicando não só no rendimento esportivo, mas também no âmbito intrapessoal. Logo, torna-se imperativo o debate acerca da negligenciação do aspecto emocional dos atletas.

Nas olimpíadas de Tokyo 2020, a ginasta Simone Biles desistiu da competição em virtude de fatores psicológicos. Esse caso abriu espaço para a discussão do tema, contudo, trouxe consigo a exposição da atleta, que lidou com críticas e rejeições. Dessa maneira, é evidente observar o forte estigma associado a questões emocionais, e a notória discriminação por parte da sociedade para com questões de saúde mental.

Além disso, na obra de Machado de Assis ‘‘Quincas Borba’’, Rubião, o protagonista, sofre com o abandono e o desamparo em decorrência de doenças psicológicas. De maneira análoga, os atletas temem o declínio de suas carreiras quando exposto suas vulnerabilidades, visto que as críticas podem agravar ainda mais a situação além de comprometer o rendimento esportivo. Dessa forma, é nítido que o problema da exposição de questões psicológicas é, na verdade, os julgamentos oriundos da sociedade.

Entende-se, diante do exposto, a real necessidade de ações governamentais que garantam o bem-estar emocional dos atletas. Para tanto o Conselho Nacional de Esporte, órgão responsável pelo esporte no Brasil, deve promover ações que preservem e protejam os atletas, por meio de terapias para as equipes em preparação intensa, e acesso gratuito a sessões de psico-terapias. Posto isso, espera-se promover uma melhora no que tange a saúde mental no âmbito esportivo.