Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo

Enviada em 04/11/2021

De acordo com Barão de Coubertin, o idealizador dos jogos olímpicos modernos, o importante não é vencer e sim competir. Entretanto, é notório que no contexto vigente os atletas adquiriram o status de “super-humanos” pelo público e, dessa forma, são vistos como portadores de uma saúde impecável e ideal.Assim, é perceptível que a noção de saúde limitada do tecido social, bem como a excessiva cobrança por alta performance contribuem para a falta de discussão acerca da saúde mental no esporte.

Em primeiro plano, é crucial compreender que em razão da prática regular de exercícios físicos e de uma alimentação saudável os atletas são espelho para a populção. Dessarte, a valorização do corpo físico em detrimento do bem-estar psicológico não só prejudica o desempenho do atleta, tendo em vista a relação psíquica entre foco e propensão a lesões devido a distúrbios mentais não tratados, como também as pessoas que se baseiam na falsa aparência de saúde do esportista.É, portanto, nociva a percepção de que mesmo que a OMS tenha mudado a classificação de modelo ideal de saúde de biofísico para biopsicossocial, a sociedade espotiva ainda negligencia a importância do acompanhamento por profissionais da saúde não só para performance do jogador ,como também para os espectadores que os admiram.

Em segundo plano, nota-se que a visão utilitarista atual do indivíduo pelo organismo social de modo a igonorar suas reais necessidade prejudicam o desempenho esportivo.O sociólogo sul-coreano Byung Chul-Han classificou o momento atual como “Sociedade do Cansaço” uma vez que a população tem internalizado as demandas por perfeição nas mais diversas áreas da vida. Logo, é evidente que as exigências de vencer campeonatos, postar nas redes sociais e ser exemplo de perseverança corroboram para o esvaziamento do sonho de muitos aspirantes à carreira esportiva, assim como o esgotamento total dos atletas. Logo, é inadmissível que os clubes ignorem de forma tão flagrante os perigos à integridade de seus jogadores a presença dessa lógica entre os praticantes, sem a devida reação do Estado.

Sendo assim, a escassez de apoio psicológico nos clubes é preocupante e requer medidas técnicas para ser combatida.Dessa maneira, o Ministério da Cidadania-órgão reponsável pelo esporte e desenvolvimento social- deve tornar obrigatório a oferta gratuita de psiquiatras e psicólogos tanto para os profissionais quanto para a base, com o objetivo de diagnosticar e tratar possíveis transtornos e desequilíbrios mentais.Espera-se, com isso, a formação de um corpo de atletas cientes de seu papel social e da preponderância do equilíbrio emocional, sem desconsiderar a máxima de Pierre Coubertin.