Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo
Enviada em 01/10/2021
Nas Olimpíadas de Tóquio, Simone Biles, a ginasta americana, que é considerada a melhor atleta de sua modalidade, surpreendeu o mundo ao desistir de participar de duas provas finais em prol da sua saúde mental. Inquestionavelmente, os esportes geram uma enorme pressão no atleta, sendo assim necessário uma maior atenção nos cuidados com relação ao psicológico. No entanto, há muitos que são negligenciados perante ao assunto, seja por conta do preparo físico sendo posto como prioridade, bem como o estigma relacionado à doenças mentais disseminando preconceitos.
Vale ressaltar, de início, que é de extrema importância para uma equipe esportiva atenção em relação a transtornos mentais. Segundo o neurocirurgião, Fernando Gomes, “Um atleta profissional de alta performance precisa sempre trabalhar com dois tipos de inteligências: uma corporal sinestésica, que é a habilidade de conseguir orquestrar movimentos físicos coordenados, e a inteligência emocional”. Sob o mesmo ponto de vista, priorizar apenas o físico e habilidades corpóreas torna-se desvantajoso para a pessoa. Ademais, gera problemas profissionais, uma vez que aquele atleta não se sente bem, piorando sua condição e interferindo no seu desempenho naquela modalidade. Sendo assim, fica evidente a necessidade de uma melhor interação entre atleta e equipe esportiva.
Cabe salientar, também que a invisibilidade da problemática é fator determinante para a persistência da mesma. Consoante a Organização Mundial da Saúde (OMS), doenças mentais são de extrema prioridade a priori de uma melhor saúde mundial. É indubitável, que as doenças são baseadas em experiencias pessoais de cada atleta vivenciadas ao longo da vida. Dessa forma, o preconceito é instaurado baseado no estigma de maluquice e invalidez daqueles acometidos a tal situação. Sob esse viés, é fato a necessidade de melhorias.
Portanto, percebe-se que o debate acerca da importancia dada a saude mental no ambito esportivo é extremamente necessaria para a construção de uma sociedade mais saudável. Nessa lógica, é dever de cômites esportivos apoiar e ajudar a pessoa doente, por meio da procura de profissionais capacitados para realizar um tratamento e acompanhamento de qualidade, e buscar entender cada vez mais sobre saúde mental. Essa medida tem como objetivo minimizar os casos de desistência como exemplificado pela Simone Biles e gerar uma socidade mais empática e menos ignorante.