Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo
Enviada em 03/10/2021
“O amor por princípio, a ordem por base; o progresso por fim”. Esse lema positivista, formulado pelo filósofo francês Augusto Comte, inspirou a frase política “Ordem e Progresso”, exposta na célebre bandeira nacional. No entanto, o cenário desafiador vivenciado no Brasil representa uma antítese à máxima do símbolo pátrio, uma vez que a busca pela aprovação alheia - grave problema a ser enfretado pela sociedade - resulta na desordem e no retrocesso do desenvolvimento social. Desse modo, não só a negligência do Estado, como também a falta de empatia - reflexo do individualismo - solidificam tal mazela. A princípio, é interessante pontuar que a negligência do Estado é uma das causas do problema no país. De acordo com a Constituição da República Federativa de 1988, a saúde é um direito social. Nesse sentido, imagina-se que a saúde psicológica é garantido por tais direitos, pois o ato de tentar agradar, pode, em alguns casos, causar grandes sequelas mentais; excluindo um processo importante do desenvolvimento humano - aprender com os próprios erros. No entanto, infelizmente, o Estado não atua em defesa do ponto de vista coletivo previsto constitucionalmente, já que grande parte da sociedade ainda sofre com essa paridade. Esse sofrimento ocorre pela ausência de conscientização social, a qual é trabalho do Estado ilustrar que o erro também é bom para o desenvolvimento do ser humano, os quais compoê a sociedade. É inadmissível, portanto, a ineficácia do governo em não defender as garantias básicas da população verde-amarela. Além disso, a problemática encontra terra fértil no individualismo e na falta de empatia. Isso é devido ao fato de que a cultura da competitividade, antes empregada de forma a fim de segregar e selecionar “aptos” ou “inaptos”, foi, ao longo dos anos, formando um cenário de instabilidade psiquica. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Em virtude disso, há, como consequência, na qual o indivíduo entende que sempre está competindo, seja com ele mesmo ou com outrem, por consequência disso, constituindo (ao longo dos anos), tal problemática. Assim, essa liquidez que influi sobre a questão do da busca da aprovação funciona como um forte impecilho para sua resolução. Portanto, são necessárias medidas capazes de resolver o medo do fracasso, causado pela procura da aceitação de terceiros. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Saúde - por intermédio de campanhas midiáticas - faça publicidade acerca do erro como algo “bom” para o desenvolvimento coletivo e individual, a fim de conscientizar a população a fazer as próprias escolhas, deixando de lado o medo e o bloqueio mental que tanto aflinge os brasileiros. Assim, será consolidada uma sociedade em que o Estado desempenha corretamente seu papel social, bem como o Brasil andará rumo à ordem e ao progresso.