Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo

Enviada em 12/11/2021

“O homem saudável é aquele que possui um estado mental e físico em perfeito equilíbrio”. Assim como afirma Hipócrates, médico e filósofo da Grécia Antiga, o bem-estar mental e físico delimitam uma importante característica para a boa formação do homem. No entanto, quando se trata da saúde mental no esporte brasileiro, existe uma negligência e ausência de discussão provocada  pelo preconceito do atleta ser tachado como fraco e pelas altas exigências cobradas pelos torcedores e treinadores. Dessa forma, essas cobranças e críticas geram e intensificam os quadros de problemas mentais, esgotando o esportista e impedindo que ele procure ajuda para resolver seu estado de saúde mental.

Em primeira análise, destaca-se o tabu que existe na área do esporte quando se trata em exprimir, por parte do esportista, momentos em que não estiver bem mentalmente. Isso se dá, pelo preconceito estrutural de que um esportista se torna fraco e incapaz de exercer seu trabalho futuramente, instigando uma mais chances de desenvolver doenças mentais como a síndrome de burnout e o bordeline. Tem-se como exemplo, três jogadores de futebol da seleção uruguaia que cometeram suicídio em 2021, após um longo tempo em quadro de depressão, informação divulgada pela família após acontecer o acidente. Desse modo, observa-se que a pressão por uma alta performance do atleta implica em agravos na saúde mental e decisões abruptas como o suicídio.

Consequentemente, todas as cobranças por uma imagem perfeita que o público exige do esportista impedem que seja devidamente discutido sobre a saúde mental do atleta. Assim como na Grécia Antiga era exigido uma alta performance e um corpo perfeito para alcançar um corpo mais próximo dos deuses e ter prestígio social, tanto no Brasil como em todo o mundo, os atletas são superestimados a alcançarem uma produtividade fora da realidade para cada profissional, deixando em segundo plano a importância do bem-estar psicológico de quem está sendo alvo dessas exigências. Isso se deve ao fato de que, a imagem sempre alegre se torna a propaganda para ser mais popular no mundo do esporte, sendo altamente mal visto o atleta que demonstra-se abalado psicologicamente. Por esse motivo, a falta de debate sobre o psicológico conflui para o negligenciamento de um assunto tão decisivo na vida do profissional da área esportiva.

Destarte, medidas são necessárias para resolver a falta de discussão sobre a saúde mental no âmbito esportivo. Para isso, cabe ao Conselho Nacional do Esporte, em parceria com o Conselho Federal de Psicologia, desenvolver campanhas para quebrar o tabu sobre o problema de saúde mental dos atletas e oferecer ajuda psicológica as organizações esportivas, por meio de psicólogos contratados que possam acompanhar cada profissional esportista e projetos de discussão para o e