Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo

Enviada em 11/10/2021

O filósofo francês Luc Ferry caracterizou “liberdade” como a capacidade de agir além da determinação dos desejos particulares. Consolidar esse agir ao modo de vida contemporâneo significa educar os indivíduos para a harmonização da vida coletiva. Nesse sentido, ao refletir sobre a baixa frequência de discussões sobre saúde mental no mundo esportivo, pode-se afirmar que a falsa ilusão de que os atletas são perfeitos agrava o cenário, uma vez que dessa forma eles se cobram desproporcionalmente para conseguirem seus resultados. Assim, é preciso questionar a ausência de ajuda psicológica preventiva aos esportistas, bem como analisar os impactos desse processo no organismo social.

A partir dessa proposição inicial, é preciso esclarecer que a pressão exercida sobre os atletas é gigantesca. Nesse ponto, sabe-se antemão que os esportistas se sentem obrigados a vencer sempre, o que evidencia a necessidade de mudanças nesse contexto, pois essa cobrança vinda da imprensa e do público contribui para que mais atletas tenham problemas mentais. Aliás, não há dúvidas de que medidas precisam ser tomadas sobre essa questão, uma vez que os esportistas precisam entender que eles são humanos normais e podem errar.

Ainda nessa linha de raciocínio, outra questão relevante é o fato de que poucos atletas possuem ajuda psicológica desde o início da carreira. Por essa lógica, pode-se afirmar que os indivíduos contemporâneos, marcados pelo agir de forma irracional, como alerta Zygmunt Bauman, não percebem que comportar-se com insensatez traz prejuízos sevéros à sociedade brasileira, de modo que muitos esportistas desenvolvam transtornos psíquicos e por consequência seus rendimentos pioram. Vale ressaltar que, embora esteja claro a necessidade de oferecer ajuda psicológica aos atletas desde o início da carreira, a realidade evidencia que poucas medidas são tomadas pelos governantes para a resolução desse problema.

Diante do exposto, constata-se que o contexto requer mudanças. Logo, para descontrução desse cenário, é preciso que o Ministério da Educação implemente nas escolas um currículo diversificado sobre as pressões da vida adulta , por meio de palestras com psicólogos, visando ensiná-los a lidar com essa situação. Ademais, compete ao Ministério da Saúde, melhorar o psicológico dos atletas brasileiros, por meio da oferta de consultas psíquicas gratuitas desde o início de suas carreiras, visando prepará-los para os momentos de maior pressão e melhorar seus rendimentos. Tomadas todas essas medidas, espera-se que o entrave tenha uma resolução.