Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo
Enviada em 05/10/2021
Ao ler a obra “O mal-estar da pós-modernidade”, do sociólogo Zygmunt Bauman, foi possível compreender que a sociedade contemporânea se desviou do projeto de comunidade como defensora do direito universal ao bem-estar e passou a vivenciar a irracionalidade e a cegueira moral. Ao considerar essa elaboração sociológica, como ponto de partida para tecer argumentos sobre os prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo, é possível observar como o comportamento dos atores sociais é marcada pela insensatez. Nesse sentido, questiona-se não apenas porque o suporte psicológico é tão importante para os atletas e comissões técnicas, mas também se faz necessário analisar os efeitos desse processo no corpo social.
Em face dessa proposição inicial, é fato que a pressão e a cobrança depositada nos atletas podem ser estopim para o desenvolvimento de diversos tipos de transtornos mentais, visto que o estresse e a expectativa externa por resultados podem acabar ultrapassando suas limitações. Inclusive, esse processo pode ser considerado irracional, confirmando a percepção de Bauman, pois é preciso entender que o atleta é humano e pode ter suas escolhas. Nesse sentido, é notório que essas ações ferem o que proposto pelo Art 5 da Constituição, porque deixam de garantir o direito de liberdade de expressão dos cidadãos. Dessa forma, compreende-se que a sociedade precisa ser mais empática e compreensível.
Ainda nessa linha de raciocínio, pode-se afirmar que as consequências dessas ações são graves, visto que, além dos distúbios psicológicos, a pressão pode levar o atleta a abandonar o esporte pela perda da perspectiva da vitória. Nesse sentido, como advoga o dramaturgo alemão Bertolt Bretch, quando os indivíduos são instruídos pela realidade é que podemos mudá-la. Nessa lógica, é preciso encarar a realidade como um espaço de relações humanas múltiplas, de modo que, em relação à ausência da saúde mental no esporte, seja possível entender que a ajuda para aprender a lidar com a carga e o estresse é necessária. Dessa maneira, percebe-se que a saúde mental deve ser priorizada.
Por efeito dos fatos supracitados, constata-se que o cenário acerca dos prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo deve ser transformado. Dessa forma, é imprescindível que o Ministério do Esporte, insira equipes de psicólogos especialistas nos times esportivos, visando a prevenção do adoecimento de seus atletas. Ademais, cabe ao Ministério da Educação, estabelecer como meta o desenvolvimento de projetos, visando alertar a população sobre as consequências da pressão depositada sobre os atletas, objetivando o desenvolvimento de cidadania e empatia em relação à eles. Com essas iniciativas, espera-se que a cegueira moral, proposta por Bauman, seja desconstruída da sociedade.