Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo

Enviada em 05/10/2021

O conceito de Habitus, formulado por Pierre Bourdieu, contribui para a percepção de que a vida dos atores sociais é composta por um conjunto de experiências sociais e relações históricas, e um sistema cognitivo de disposições que são duráveis e ao mesmo tempo transponíveis. Ao partir dessa concepção sociológica, para fomentar discussão sobre os prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo, pode-se afirmar que a sociedade estabeleceu imensa visibilidade e competitividade em níveis globais diante da prática de esportes, de modo que se exerça gigante pressão psicológica acima de atletas em razão da expectativa de sucesso. Assim, é preciso questionar a desumanização dos esportistas criada pela população e a pouca visibilidade dada para o psicológico deles, bem como analisar os imapctos desse processo no organismo social.

Em face desse questionamento, é importante esclarecer que todos os competidores estão sumetidos ao desgaste mental causado pela projeção do público, especialmente os de alta perfomance, em razão do medo da projeção de fracasso sob o olhar de milhares de torcedores. Além disso, não se pode negar que, por possuírem habilidades físicas excepcionais, os atletas acabam sendo vistos como ‘infalíveis’ e têm sua humanidade desconsiderada mediante a redução de seus estados psicológicos á perfomances impecáveis e superação de limites. Nesse sentido, a ideia de que esse comportamento foi se solidificando ao longo da história, confirma a percepção de Bourdieu, na medida em que se estabeleceu uma cultura de comportamento acerca da alta competitividade na prática de esportes e da desumanização dos praticantes. Vale ressaltar que, mesmo que vistos como imbatíveis, a realidade evidencia que atletas são igualmente humanos e vulneráveis que os demais indivíduos. Dessa forma, fica claro que necessitam do amparo psicológico e do respeito pelos seus limites e decisões dentro e fora dos campos.

Ainda nessa linha de raciocínio, é necessário acrescentar que é incontestável -entre os esportistas e a comissão técnica- o desenvolvimento de de competências psicológicas, englobando domínio de técnicas e aptidões intrapessoais e interpessoais, em virtude do favorecimento amplo da perfomance esportista. Aliás, não há dúvidas de que questões relacionadas ao diagnóstico e tratamento de condições mentais ainda são tabus na sociedade, visto que, de modo geral, são associadas à doenças mentais ou não são encaradas com seriedade, ao serem taxadas como “frescura”, por exemplo. Por essa lógica, pode-se afirmar que os indivíduos contemporâneos, marcados pelo agir com insensatez, como alerta Zygmunt Bauman, não percebem que a psicologia deve ser usada como prevenção e não somente na atuação em problemas ja existentes, de maneira que atletas