Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo

Enviada em 05/10/2021

Segundo o ditado romano “Mens sana in copore sano”, a saúde mental está intrinsecamente associada ao desenvolvimento das habilidades corpóreas. Contudo, as olimpíadas de Tóquio de 2020 demonstraram que a dicotomia entre mentalidade e esporte não é tão inverossímil quando não são fomentadas discussões acerca do bem-estar mental de atletas. Nesse sentido, faz-se necessário analisar as desvantagens de não se discorrer sobre esse assunto, a citar, a criação de uma imagem desumana dos atletas e a influência na qualidade de vida dos profissionais, no sentido de impulsionar as vantagens do esporte para a mente.

Inicialmente, é pertinente reconhecer que a falta de discussões sobre a saúde mental nos esportes contribui para uma distorção da percepção acerca dos profissionais físicos. Para compreender essa lógica, vale ressaltar a tese da doutora em psicologia Carol Dweck, em seu livro “Midset”, de que a perpetuação de uma mentalidade fixa que determina que atletas de alta performance são perfeitos e naturalmente talentosos provoca, nos esportistas, o medo e a frustração diante do fracasso. Essa perspectiva imediatista, nesse prisma, impõe expectativas inalcançáveis que desencorajam o esforço e banalizam doenças mentais, que, por sua vez, passam a ser tratadas como um “tabu”. Logo, nota-se a influência da falta de diálogo na construção de uma ótica de perfeição dos desportistas.

Toda essa mentalidade causa, outrossim, efeitos contínuos nos atletas, afetando não apenas a performance esportiva, mas também o bem-estar mental destes. Nesse aspecto, a cobrança ininterrupta por resultados gera um quadro de estresse e de exaustão, muitas vezes marcado pela Síndrome de Burnout e pela ansiedade, que dificulta a execução de tarefas diárias e desfavorece a qualidade de vida dos profissionais. Analogamente, a tenista Naomi Osaka, em seu documentário “Naomi Osaka: a Estrela do Tênis”, explica que lida com depressão desde que começou sua carreira esportiva e que apresenta dificuldades para lidar com suas derrotas. Dessa forma, elucida-se que, assim como a atleta, a pressão pela vitória afeta o cotidiano dos indivíduos.

Frente a essa questão, destaca-se, enfim, que a ausência de comunicação sobre a integridade psíquica nas atividades físicas gera uma visão utópica dos humanos e afeta a vida dos profissionais. A fim de desconstruir a mentalidade acerca dos atletas, compete às organizações internacionais afiliadas ao esporte, como a FIFA e a COB, estruturar um ambiente de discussões, por meio de seminários e de entrevistas com atletas. Ademais, é imperativo que a ONU reúna esforços para fomentar o oferecimento de tratamento psicológico para os cidadãos, por meio da colaboração da iniciativa privada, para desenvolver competências psíquicas na população. Quiçá, nessa via, promover-se-á a saúde.