Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo
Enviada em 07/10/2021
Em 1930, a obra “Libertinagem”, do poeta brasileiro Manuel Bandeira, foi publicada contendo o poema “Vou-me embora pra Pasárgada”, no qual é retratado um universo idealizado onde há liberdade e satisfação. Com base nessa referência literária, pode-se dizer que a ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo dificulta o alcance do ideal criado. Sendo assim, é necessário analisar a pressão psicológica existente sobre os atletas bem como discutir a exposição nas redes sociais.
A partir desse ponto, vale destacar que atletas, em especial os de alto rendimento, são expostos a comentários e altas expectativas sobre seu desempenho a todo momento, causando um cenário de estresse. Nesse contexto, vê-se um cenário oposto ao retratado no poema de Bandeira, na medida em que torna-se comum que atletas desenvolvam transtornos como ansiedade e depressão. Aliás, com pessoas conhecidas e desconhecidas esperando sempre os melhores resultados, é natural que ocorra uma pressão psicológica e auto cobrança excessivas na vida do atleta. Logo, não é exagero afirmar que o ambiente existente ao redor dos participantes de competições esportivas exige que essas pessoas tenham orientação psicológica para conseguir lidar com a exposição e cobrança sofridas.
Outro fator que merece ser citado é a rápida circulação de opiniões proporcionada pelo desenvolvimento tecnológico da contemporaneidade, que permite que os internautas emitam falas agressivas contra atletas. Nesse contexto, vale-se compreender o pensamento do físico alemão Albert Einstein, segundo o qual tornou-se aterradoramente claro que a tecnologia ultrapassou a humanidade. À luz dessa ideia, pode-se dizer que comentários maldosos relacionados a outras pessoas são comuns nas redes, permitindo que mensagens de ódio cheguem rápida e frequentemente a atletas, causando um estresse psicológico ainda maior. Assim, fica claro que as redes sociais impulsionam o dano emocional causado aos atletas, impulsionando os casos de transtornos psicológicos nesse grupo.
Diante desse cenário, são necessárias ações que visem fomentar a discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo. A priori, é de responsabilidade do Ministério da Cidadania promover o atendimento com psicólogos em centros esportivos por meio da contratação desses profissionais, visando atender atletas e evitar que estes desenvolvam transtornos como ansiedade, tornando possível que estes tenham uma vida mais saudável. Ademais, cabe ao Ministério da Educação incluir nas escolas uma disciplina diversificada sobre cidadania digital, ensinando aos jovens sobre os efeitos e consequências da escrita e compartilhamento de comentários de ódio aos atletas que estão sendo expostos nas competições esportivas, objetivando diminuir a pressão das redes sociais sobre os atletas. Com ações como essas, certamente será possível aproximar o cenário brasileiro do ideal de Pasárgada.