Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo

Enviada em 16/10/2021

Em razão de seu caráter extremamente militarizado, a República Romana promovia eventos banais em seus Coliseus, levando os competidores a cometerem homicídios por puro entretenimento. Contudo, mesmo que séculos tenham se passado, a sociedade contemporânea brasileira ainda promove a popularização de estigmas que causam problemas aos indivíduos. Isto é, a problemática da ausência de discussão sobre saúde mental, principalmente no âmbito esportivo, potencializada pela romantização do extremo e quase nula atenção aos cuidados psicológicos pelo Estado.

Em primeiro plano, vale ressaltar que uma característica da sociedade moderna é a romantização em chegar ao extremo que se pode alcançar. É importante dizer que isso é frequentemente contraindicado por integrantes da área da saúde, visto que pode levar a problemas sérios como a Síndrome de Burnout ou Síndrome do Esgotamento Profissional. Consoante a Byun-Chun Han, filósofo sul-coreano, em “Sociedade do Cansaço” ele apresenta situações e paradigmas que comprovam que a sociedade impulsiona parâmetros ou conceitos sociais que coibem a aceitação ou admisssão de um problema em si, visto principalmente em atletas, forçando-os à ultrapassar os seus próprios limites em busca de reconhecimento ou realização, levando ao desenvolvimento de distúrbios e doenças psicológicas.

Por conseguinte, evidencia-se o descaso estatal em desenvolver políticas de saúde mental, mesmo com a alta receita advinda de impostos. Em exemplo temos o Brasil que, segundo a Organização Mundial da Saúde, apresenta 86% dos seus cidadãos com algum transtorno mental, como ansiedade e pressão. À vista de tal fato, torna-se notório a ineficiência do Estado Brasileiro nesse setor, mesmo com a criação de projetos de lei de promovidas pelo Poder Legislativo, mas não sendo colocadas em prática pelo Poder Executivo, pois, se o fizessem, as estatísticas seriam diferentes e a sociedade, mais saúdavel.

Portanto, é mister que ações sejam tomadas para que a problemática seja encerrada. Desta forma, cabe ao Ministério da Saúde — responsável pela saúde pública — e a Mídia, detentora da atenção dos cidadãos brasileiros e popularização da informação, que promovam propagandas que incentivem o indivíduo a reconhecer algum problema ou transtorno que o aflija e procure problema. Além disso, o Ministério da Saúde, por si só, deve ampliar a disponibilização de programas de cuidado mental e, da mesma maneira, que eles cheguem à todos os indivíduos, sem qualquer tipo de barreira. Somente assim a sociedade brasileira se afastará de estereótipos de ultrapassar a si mesmo em prol de seu próprio desgaste ou reconhecimento exterior, tornando-se mais saudável e promovendo uma sociedade mais aberta, empática e tolerante.