Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo
Enviada em 16/11/2021
O filósofo Jurandir de Teixeira Mendes, em 1889, adaptou o lema “Ordem e Progresso” não só para a Bandeira Nacional Brasileira, mas também para a nação que, na atualidade, enfrenta inúmeros empecilhos que prejudicam seu deseonvolvimento. Nesse viés, entre eles, a falta de discussão acerca da saúde mental dos esportistas representa uma antítese à máxima do símbolo pátrio, uma vez que gera retrocesso e diminuição da qualidade de vida das vítimas. Com efeito, é imprescindível enunciar os aspectos socioculturais e a insuficiência legislativa como pilares dessa chaga.
Em primeiro lugar, vale destacar o fator grupal. Conforme o filósofo Jurgen Habermas, a razão comunicativa - ou seja, o diálogo - constitui etapa fundamental do progresso coletivo. Sob essa óptica, a falta de debate acerca da necessidade de discussão sobre os problemas mentais em âmbito esportivo, entretanto, coíbe o poder transformador da deliberação e, consequentemente, resulta na formação de brasileiros sem pensamento crítico, os quais não refletem acerca de sua importância, que a falta pode causar estigmatização e circulação de preconceitos, como também a carência de reinvidicações por melhorias. Dessa forma, fica evidente que o primeiro passo para a ascensão sociocultural habermeseana é discorrer criticamente o problema.
Ademais, merece atenção o quesito constitucional. Segundo Jean-Jaccques Rousseau, cidadãos cedem parte da sua liberdade adquirida na circunstância natural, para que o Estado garanta direitos intransigentes. Porém, seja por falta de interesse, seja por dificuldade em se articular em um território com dimensões continentais, a realidade contrasta com a concepção do pensador na medida em que a falta de debate acerca da saúde psicológica no esporte viola o bem-estar humano, previsto na Constituição Federal de 1888, e os indivíduos que são vítimas das doenças são marginalizados - devido à ausência de medidas públicas que conscientizem a população e quebre estigmas. Dessa forma, ações das autoridades competentes devem ser tomadas com o fito de dirimir o revés.
Entende-se, portanto, a problemática como sendo de raízes culturais e legislativas. Logo, a mídia, por intermédio de programas televisivos, deve discutir o cenário com psicólogos, com o intuito de mostrar as consequências do problema, apresentar visão crítica e orientar os cidadãos acerca da importância do debate, não só de forma individual, mas no corpo social. Essa medida ocorrerá pela criação de um projeto estatal, com o Ministério das Comunicações, ao ser incluído nas Diretrizes Orçamentárias. Em adição, o Ministério Público deve desenvolver campanhas de conscientização, alertando a população sobre a saúde psíquica dos praticantes de esportes, como também derrubar paradigmas relacionados. Assim, com a justiça de Rousseau e a comunicação de Habermas, a ordem será atingida.