Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo
Enviada em 10/04/2022
Na obra ”Utopia”, do escritor inglês Thomas More é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. De maneira análoga a isso, observa-se os a danos causados pela falta de debate sobre tal assunto em meio a várias áreas sociais, incluindo o âmbito esportivo, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Nesse prisma destacam-se dois aspectos importantes: A incessante busca da perfeição e o estigma dos problemas mentais.
A priori, evidencia-se a cobrança dos competidores olímpicos e a busca incansável pelo pódio, gerando uma insatisfação pessoal, e futuramente uma possível depressão, ansiedade e até a síndrome de Burnout. Sob essa ótica, de acordo com dados da Fiocruz, cerca de 80% dos atletas entrevistados têm sintomas de depressão. Dessa forma, com a pressão que o atleta coloca em si mesmo, faz com que ele passe dos seus limites fisícos e psicológicos acarretando em transtornos mentais que pode vir a gerar a morte, no pior dos cenários.
Além disso, é evidente, o tabu estabelecido ao falar sobre doenças mentais nos esportes, aonde na maioria das vezes, não é gerado um ambiente confortável para o atleta desabafar, seja pela pressão concebida pelo esportista ou até pela sua família, desenvolvendo uma piora na condição psicológica do tal. Desse modo, como foi dito por Graciliano Ramos “Chorou, mas estava invisível, e ninguém percebeu o choro”. Consoante a isso, é notório, a visão de que os atletistas possuem físico e mental inabaláveis, fazendo com que o esportista se feche por medo dos julgamentos e por falta de ajuda para enfrentar o transtorno.
Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham ampliar a discussão sobre problemas mentais no meio esportivo. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Saúde, investir em projetos que visem o acompanhamento psicológico para os atletas, por meio da inserção de psicológos especializados nesse meio, a fim de que os tais tenham o apoio que necessitam, tornando a saúde mental algo importante e discutível na sociedade. Somente assim, atenuar-se-á o impacto nocivo da pressão pelo alto rendimento, e a coletividade alcançará a utopia de More.