Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo
Enviada em 26/06/2022
O quadro expressionista “O grito” do pintor norueguês Edvard Munch, retrata a inquietude, o medo e a desesperança refletidos no semblante de um envolto por uma atmosfera de profunda desolação. Para além da obra, observa-se que, na conjuntura brasileira contemporânea, o sentimento de milhares de atletas assolados pela ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo, o que se assemelha a ilustração do artista. Nesse viés, torna-se crucial analisar as causas desse revés, dentre as quais se destacam a negligência governamental e a pressão pelo alto desempenho.
A princípio, é imperioso notar que a mídia potencializa a pressão pelo alto desempenho. Esse contexto pode ser exemplificado pelo caso da ginasta Simone Biles que ao abandonar a final de um campeonato em Tóquio, relatou que sentia que carregava as expectativas de todas as audiências do planeta em seus ombros. Sob essa ótica, com a pressão discrepante que o atleta coloca em si mesmo sem apoio psicológico necessário gera riscos a saúde dos esportistas.
Outrossim, é igualmente preciso apontar a negligência governamental como outro fator que contribui para a potencialização do problema exposto. De acordo com a Federação Internacional de Atletas, cerca de 39% dos jogadores de futebol em atividade, apresentam algum tipo de transtorno psicológico, entretanto mesmo diante desse índice, pouco é se falado sobre investimento na saúde desses atletas, ao contrário disso, segundo o Projeto Transparência no Esporte da Universidade de Brasília, o valor de investimento em atletas caiu em 47%. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Portanto, são necessárias medidas capazes mitigar essa realidade, a fim de melhorar as condições psicológicas no meio esportivo. Para isso, é preciso que o ministério de cidadania, responsável pelas políticas de desenvolvimento social no âmbito esportivo, promovam investimento nesse meio, destacando sua atenção na saúde psicológica. Paralelamente é imperativo que a mídia se responsabilize pela mobilização popular para a discussão apresentada, sendo feita através de de comerciais de conscientização popular. Esperando que assim, os sofrimentos emocionais retratados por Munch delimitem-se apenas ao plano artístico.