Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo

Enviada em 27/06/2022

Em um de seus poemas, Carlos Drummond de Andrade cita: “Tinha uma pedra no meio do caminho, metaforizando os desafios que impedem o pleno desenvolvimento do bem-estar social. Correlativamente, no contexto hodierno, a ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo configura-se como obstáculo na conquista legítima do bem comum, uma vez que acarreta danos psicossociais para os atletas. Assim sendo, é válido inferir que a lenta mudança de mentalidade da população, bem como a omissão governamental, estão entre as principais premissas agravantes desse quadro.

É inevitável, em primeiro aspecto, observar a pressão que o público exerce nos atletas, que muitas vezes não conseguem lidar com esse sentimento, prejudicando a carreira. Sob essa ótica, vale resgatar a tenista japonesa Naomi Osaka, que relatou sofrer com problemas psicológicos devido as cobranças impostas por torcedores. A mesma relata, em entrevista a revista Forbes, que fãs comparam seu lamento com um resultado ruim como o “circo de contestações”. Desse modo, precisa-se mitigar essa mazela em função desse incômodo.

Outrossim, as autoridades públicas não têm dado a devida importância para esse assunto, visto que há escassas tentativas, por parte desse órgão, de propugnar os direitos dos atletas. Nesse sentido, de acordo com o filósofo Rousseau, o Contrato Social estabelecido entre instituições públicas e privadas requer participação de ambos no combate aos obstáculos sociais. Assim, as Federações e empresas ao redor do mundo devem instruir os cidadãos sobre os impactos dessas ações contra o psicológicos dos competidores.

Torna-se improtelável, portanto, desconstruir problemas e propor medidas solutivas. Em vista disso, cabe às ONGs de projetos esportivos, por meio de redes sociais - detentoras de maior abrangência nacional -, criarem ficções engajadas, as quais divulguem a necessidade do apoio populacional para a saúde mental no âmbito esportivo. As atitudes supraditas devem ser cumpridas com urgência, com o fito de estender a importância dos torcedores para o desenvolvimento sadio das competições. Somente assim, será possível retirar a “pedra do caminho” citada por Drummond.