Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo

Enviada em 12/06/2022

As Olimpíadas de Inverno de 2022 foram palco de demonstrações de condições precárias acerca da saúde mental no âmbito esportivo, como a de Alexandra Trusova, patinadora artística que teve crises de choro e se recusou a comer após ganhar uma medalha de prata. Assim, entendem-se prejuízos associados à ausência de discussão sobre saúde mental no meio competidor, como a propensão a transtornos mentais.

Em primeira instância, destaca-se a romantização do sofrimento de atletas, com base em uma visão errônea de que precisam se sacrificar para superar metas e conquistar medalhas. Nesse viés, é notável como todo o panorama desportivo contribui para a problemática, uma vez que treinadores e torcedores cobram resultados excessivamente, assim como o próprio indivíduo. Nesse exemplo, a protagonista Kat Baker, da série Spin Out, é patinadora e sofre com bipolaridade, mas negligencia seu transtorno por conta da pressão por vitórias e atinge um ponto crítico. Desse modo, é possível observar que é necessária uma mudança da perspectiva geral acerca do cuidado psicológico de atletas.

Em segunda instância, é notório que esse cenário não afeta somente competidores de alto nível, mas também praticantes casuais de esportes, que se espelham em suas figuras. Consonantemente, o estudioso Guy Debord, em sua obra “Sociedade do Espetáculo”, disserta sobre reféns da espetacularização do caos na sociedade moderna. Dessa maneira, depreende-se que isso eleva constantemente a condição mental precária dessa parcela, que se vê inserida em mídias que normalizam transtornos de ansiedade e depressão no panorama esportivo.

Portanto, são necessárias medidas para apaziguar a problemática. Destarte, cabe ao Comitê Olímpico Internacional a criação da obrigatoriedade de acompanhamento psicológico para atletas, por meio da modificação das regulamentações de competições, para que só permitam a participação de competidores com laudos de psiquiatras, a fim de criar melhores condições para a saúde mental no ambiente desportivo. Com efeito, espera-se que histórias como a de Alexandra Trusova não se repitam.