Prejuízos da ausência de discussão sobre saúde mental no âmbito esportivo
Enviada em 13/07/2022
Em outubro de 1988, a sociedade conheceu um dos documentos mais importantes da história do Brasil: a Constituição Cidadã, cujo conteúdo garante o direito ao acesso à saúde. Entretanto, a pressão exercida sobre os atletas no âmbito esportivo impede que os brasileiros usufruam desse direito constitucional. Com efeito, a solução do problema pressupõe que se combata não só a invisibilidade dos distúrbios psicológicos no esporte, como também a omissão estatal.
Diante desse cenário, a indiferença com a saúde mental dos atletas fragiliza a dignidade humana. Nesse sentido, a Declaração Universal dos Direitos Humanos - promulgada em 1948 pela Organização das Nações Unidas (ONU) - assegura que todos os indivíduos fazem jus a direitos básicos, a exemplo da assistência psicológica. Ocorre que, no Brasil, profissionais do esporte estão distantes de vivenciar os benefícios previstos pelas Nações Unidas, sobretudo por conta da pressão constante que estão submetidos para atingirem melhores resultados. Assim, se a saúde dos desportistas continuar a ser tratada como invisível, os direitos firmados em 1948 permanecerão como privilégios.
Ademais, a omissão estatal inviabiliza a inserção do debate nos meios públicos. A esse respeito, o filósofo John Locke desenvolveu o conceito de “Contrato Social”, no qual os indivíduos deveriam confiar no Estado, que, por sua vez, garantiria direitos inalienáveis à população. Todavia, o grupo de atletas que sofrem de distúrbios psicológicos evidencia que o poder público brasileiro se mostra incapaz de cumprir o contrato de Locke, na medida em que o contingente de esportistas que apresentam quadros de depressão e ansiedade representa grave problema.
Portanto, com a finalidade de tornar o debate acerca da saúde mental no âmbito esportivo público, e, consequentemente, aliviar a pressão sobre os desportistas, urge ao Ministério da Educação (MEC) aliado ao Ministério da Saúde, que, por meio de campanhas, conscientize a população sobre os perigos que a cobrança pode causar em praticantes de esportes, visto que é a principal influenciadora nos desvios comportamentais. Adicionalmente, é preciso que haja assistência psicológica constante nos centros de treinamento, só assim para o tratamento digno previsto pelas Nações Unidas deixar de ser uma utopia no Brasil.