Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 22/10/2019

Segundo o filósofo David Hume, a beleza das coisas existe no espírito de quem as contempla, ou seja, ela não é uma qualidade inerente às coisas. A partir desse olhar, é possível afirmar que se faz necessária a preservação do patrimônio histórico cultural do Brasil, para que os cidadãos percebam e deem a devida importância aos artefatos que constituem a identidade brasileira. No entanto, são observados alguns impasses para que esse objetivo seja alcançado, como a negligência estatal e o comportamento da sociedade para com essa temática.

A priori, é imperioso pontuar que a conservação de museus e acervos históricos é dificultada pela precariedade das políticas públicas. Como consequência, tem-se tragédias como a do ano de 2018, quando, por conta da desatenção governamental no que tange à conservação, houve um incêndio no Museu Nacional que gerou perdas irrecuperáveis de peças que traduziam a história e a identidade do povo brasileiro. Acidentes como esse são causados principalmente pela falta de investimento e incentivo por parte do governo, que se esquece que artefatos culturais também são importantes para a economia do país, como é o caso da cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais, onde o turismo é uma das principais atividades econômicas.

Outrossim, é imperativo destacar que o desinteresse por parte da população torna evidente que a temática cultural e histórica é pouco valorizada. De acordo com o Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 4% dos brasileiros têm o hábito de frequentar museus. Sob esse viés, é possível depreender que a consciência coletiva para com esses vínculos sociais ainda é precária, e que tal falta de atenção dificulta o reconhecimento do valor de elementos que traduzem a construção e as características de um grupo. Logo, não se pode negar que faz-se mister uma alteração nesse cenário.

É pontual, portanto, que o Ministério da Cultura, concomitantemente com empresas privadas, fomentem ações que potencializem instituições de preservação da memória nacional a partir da criação e da manutenção de estruturas projetos culturais, como museus, galerias, exposições, entre outros, com o fito de promover os patrimônios e a arte nacionais. Ademais, cabe ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), que é vinculado ao Ministério da Cidadania, estabelecer como meta a orientação das instituições de ensino por maio da adesão de debates culturais ao currículo escolar a fim de que se formem indivíduos mais conscientes e com uma participação mais ativa frente à essa problemática. Com essas ações, espera-se que haja maior cuidado para com os patrimônios histórico culturais brasileiros e que seja criada uma sociedade mais interessada nas suas particularidades, visto sua importância nas individualidades de um povo.