Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 04/10/2019

A destruição da biblioteca de Alexandria, em meados da idade média, representou a perda de séculos de registros históricos e técnicas desenvolvidas ao longo da história da civilização, tendo sido um dos episódios que mais atrasaram o desenvolvimento da sociedade atual. Estabelecendo um paralelo com esse acontecimento, percebe-se hoje que o Patrimônio histórico cultural brasileiro encontra-se em constante risco, visto que o patrimônio material não é devidamente cuidado, além de diversas comunidades não encontrarem condições para manter suas raízes históricas e culturais, o que põe em risco a preservação do patrimônio cultural imaterial, tornando evidente certa negligência da sociedade e do governo a respeito da manutenção desses bens. Esse cenário exige melhores medidas de preservação e valorização desse patrimônio, de modo a preservar toda a história do povo brasileiro.

Inicialmente, cabe destacar a negligência para com a preservação a partir das perdas já vivenciadas. No início do ano de 2019, uma falha na fiscalização do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, acabou por permitir que uma má manutenção na instalação elétrica da construção resultasse em um incêndio que levou à perda total do conteúdo ali presente. Consoante a esse acontecimento, a falta do uso de tecnologias informacionais no registro do conteúdo e na manutenção do museu corroborou para um cenário de difícil recuperação das peças, fazendo, assim, com que muitas delas tenham definitivamente sido perdidas nesse incêndio. Se medidas não forem tomadas para a reversão desse quadro de negligência, muitas outras perdas hão de ser registradas futuramente.

Além disso, vale ressaltar que não há apenas o patrimônio material. Entende-se por patrimônio histórico cultural imaterial todo o conjunto de tradições, costumes e modos de produção de algum alimento ou bem material, exemplificado pelas celebrações folclóricas de algumas comunidades ou pelo modo de produção das panelas de barro do estado do Espírito Santo. A falta de incentivo do governo para a manutenção de diversas dessas tradições acaba, por vezes, impedindo que sejam mantidas e passadas às gerações futuras o que, segundo o sociólogo Franz Boas, acarretará em uma futura perda desses bens culturais e em consequente perda de identidade e história dessas comunidades.

Portanto, tendo em vista o cenário em que se encontra o Patrimônio histórico e cultural brasileiro e a importância de preservá-lo, faz-se necessária uma maior valorização desses bens, que acarretará em uma consequente melhor preservação. Para isso, faz-se necessário que o Ministério da Cultura, junto ao poder executivo, elabore melhores ações de valorização cultural, como por exemplo o fomento de festividades tradicionais e uma maior promoção dos centros históricos culturais, de modo a criar na população um sentimento de bem comum. Dessa forma, será possível preservar esse Patrimônio.