Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro
Enviada em 07/08/2019
No seu livro de poemas “Pauliceia Desvairada” o escritor modernista Mário de Andrade traz em seu poema “O trovador” a visão do brasileiro sobre sua identidade: dividida entre a herança indígena e a europeia. Paralelamente ao livro, a falta de valorização do brasileiro àquilo que lhe é próprio somada à desigualdade na repartição dos bens históricos e culturais são fatores para a falta de democratização do acesso a cultura no Brasil.
A princípio, o enaltecimento da cultura de massa nos veículos de grande amplitude e a negligência do poder público em relação à cultura popular e erudita alimenta um desinteresse brasileiro em relação às suas heranças. Explicada pelo filósofo Adorno em seu livro “Dialética do esclarecimento”, a cultura de massa visa a lucratividade por quem a produz, logo, para ser rapidamente consumida e propagada, não exige a reflexão e o senso crítico. Dessa forma, tal cultura tem substituído a apreciação por uma produção com elementos mais complexos como a popular e a erudita. Em face dessa substituição, é necessário que o Estado cumpra com suas responsabilidades quanto a reafirmação da identidade nacional, compromisso este previsto por lei.
Além de reafirmar a identidade do país, evidencia-se também a necessidade de equilibrar a distribuição de espaços favoráveis a produção artística por todo o país. Por exemplo, o Rio de Janeiro concentra a maior parte dos museus e salas de teatro no Brasil, enquanto que em outras regiões esses recursos são escassos. Por isso, o Instituto estatal responsável por incentivar o patrimônio artístico no país, o IPHAN, deve atender as complexas demandas sociais como bem afirmado pela banda de rock nacional nos anos 80, os titãs, " a gente quer comida, diversão e arte".
Portanto com vistas a ampliar a valorização da sociedade pela cultura nacional o IPHAN através dos meios de comunicação mais abrangentes, poderia divulgar os percursos históricos da ciência da música e da sociedade brasileira, além disso o poder executivo, em planejamento com os municípios e estados, poderia traçar uma melhor distribuição de bibliotecas, museus e teatros, com o reforço ao vale cultura, ou outro tipo de apoio a pessoas sem muitos recursos financeiros. Tais medidas seriam possibilidades para acessibilizar as heranças brasileiras.