Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 28/07/2019

Segundo o sociólogo francês Pierre Bourdieu, “somos os reflexos das nossas experiências e relações sociais”. Análogo a esse pensamento, cabe estabelecer os desafios relacionados à preservação do patrimônio histórico e cultural brasileiro, uma vez que os esforços governamentais e sociais se mostram insuficientes para salvaguardar a identidade nacional. Nesse sentido, é preciso não apenas verificar os impactos dessa desatenção, mas também analisar por que razão esse problema se faz presente na sociedade contemporânea.

Destaca-se, de início, que a indiferença relacionada à manutenção de sítios históricos prejudica a compreensão do povo, visto que estes representam a materialização da identidade do corpo social. A partir desse ponto, ratifica-se a percepção de Pierre Bourdieu, já que a baixa intervenção governamental na preservação da cultura material e da imaterial é o reflexo de uma sociedade em que não há, de fato, o hábito de valorizar esse patrimônio. Essa realidade exemplifica-se no incêndio ocorrido no Museu Nacional em 2018, fruto da carência de verbas destinadas à conservação do espaço. Dessa maneira, entende-se o desafio de alterar essa postura governamental destoante da necessidade preservacionista vigente.

Cabe ainda pontuar que o baixo interesse relacionado ao patrimônio histórico brasileiro advém valorização e da grande exposição de ícones estrangeiros, haja vista a influência da mídia no comportamento, o que diminui a procura pela cultura nacional. Sob essa ótica, o filósofo alemão Max Horkheimer desenvolveu a tese segundo a qual os indivíduos recebem conteúdos de forma excessiva e reiterada — estratégia conhecida como Indústria Cultural. Em outras palavras, na contemporaneidade, os veículos midiáticos determinam o padrão de conhecimento a ser cultuado pela sociedade, de modo que os saberes relacionados ao Brasil são desprestigiados em detrimento da cultura de massas.

Vê-se, portanto, a imprescindibilidade de conservar o patrimônio histórico e cultural. Diante disso, cabe ao Poder Legislativo promover a atualização da lei voltada à preservação de sítios históricos, por meio da elevação do teto mínimo de gastos com museus, exposições e tombamentos, com a finalidade de assegurar a manutenção definitiva desses espaços. Ademais, compete ao Ministério da Educação viabilizar projetos de valorização da memória coletiva nas escolas, por intermédio de iniciativas pedagógicas, da distribuição de cartilhas educativas e também de visitas a sítios históricos, a fim de evidenciar a importância dos patrimônios culturais materiais e imateriais na construção da identidade.