Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 23/07/2019

Luis Felipe Torelli, coordenador geral do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, definiu patrimônio cultural como o conjunto de todas as manifestações referenciais que constituem o povo brasileiro. Logo, como previsto pela Constituição Cidadã de 1988, é papel do Estado assegurar a preservação de tais expressões, entretanto o incêndio do Museu Nacional ocorrido recentemente e, a forte massificação cultural presente no país denunciam falhas na atuação desse setor.

Em primeiro plano, a elaboração do Artigo-215 da Constituição é uma novidade e um grande avanço para o Brasil, tendo em vista que ao analisar o passado histórico da nação, o Estado, na maior parte do tempo, teve um papel de opressor das manifestações culturais ao invés de incentivador. Ademais, essa realidade influenciou negativamente o brasileiro, pois é notável a desvalorização dele em relação a sua própria cultura. Por isso, Sérgio Buarque de Holanda estava certo ao afirmar que o brasiliense é facilmente suscetível às influências estrangeiras. Portanto, essa tentativa de estimular o cidadão a reconhecer, bem como a valorizar a sua identidade nacional é algo recente, uma vez que o próprio IPHAN, principal órgão federal ligado a cultura, foi criado somente em 1937.

No entanto, após essa análise é possível perceber que o acontecimento no Museu Nacional, a mais antiga instituição científica do país, revela um problema na atualidade, mas tem como reflexo um passado histórico que tenderá a sempre intervir de forma negativa no momento atual, a menos que se trabalhe de forma minuciosa para reverter esse quadro. Todavia, alcançar tal resultado é difícil, já que como também disse Sérgio Buarque, um povo que não valoriza seus " figurantes mudos", ou seja, seu patrimônio material, seus prédios, monumentos, sítios arqueológicos, acreditando que o patrimônio imaterial, representado pela tradição oral seja suficiente, deixará sérias consequências às gerações futuras. Além do mais, concederá às culturas estrangeiras, uma maior possibilidade de influência e distanciará cada vez mais o país da sua real identidade.

Dessa forma, é preciso assim como Luis Felipe Torelli, reconhecer a importância da preservação do patrimônio cultural para a formação do povo brasileiro. Assim, para desconstruir os efeitos negativos deixados pelo passado histórico, o Ministério da Educação deve adicionar a grade curricular uma matéria exclusiva sobre cultura, e esta deve estar presente durante toda a vida colegial, no qual por meio de aulas específicas, didáticas, trabalho em grupo os alunos possam debater e ter contato desde cedo com a sua identidade, a fim de que ao conhecer a riqueza cultural das etnias formadoras da nossa história possam criar um espirito nacionalista, desde cedo,  de valorização a tudo aquilo que de alguma forma contribuiu à formação da essência do seu país.