Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro
Enviada em 24/07/2019
De acordo com o artigo 216, da Constituição Federal, o patrimônio histórico refere-se à identidade dos diferentes grupos que formaram, e formam, a sociedade. Apesar da Carta Magna determinar a proteção ao patrimônio histórico-cultural brasileiro, e de ele ser elemento imprescindível à valorização e à manutenção da identidade nacional, o governo e a sociedade continuam demonstrando indiferentes à `questão.
A priori, é imperioso destacar que a causa envolve um paradoxo sociológico. A sociedade atual , que louva lemas nacionalistas como “Brasil acima de tudo”, ainda vive consequências do imperialismo europeu, em que há uma supervalorização de bens e espaços estrangeiros. Definido como “Complexo de vira-lata”, pelo dramaturgo Nelson Rodrigues, os brasileiros tendem a desvalorizar as próprias produções culturais e considerá-las inferiores.
Outrossim, é imperativo pontuar que a má gestão das verbas públicas e o descaso governamental influencia ainda mais na problemática. O Poder público tem o dever, junto da comunidade, de promover e proteger o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância, tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação. Sem a responsabilidade patrimonial, há chances de acidentes como o Incêndio do Museu Nacional , em 2018, colocando o registro da identidade nacional em perigo.
Depreende-se, portanto, que a responsabilidade, para proteção do patrimônio histórico-cultural brasileiro, deve ser compartilhada a fim de obter resultados satisfatórios. Cabe ao Ministério da Cultura, em parceria com o Ministério da Educação, desenvolver o projeto “Educação patrimonial “. Trata-se de um processo permanente e sistemático de trabalho educacional centrado no Patrimônio Cultural como fonte primária de conhecimento e enriquecimento individual e coletivo. A partir da experiência e do contato direto com as evidências e manifestações da cultura, visitação ou análise de imagens, levarão as crianças e adultos a um processo ativo de conhecimento, apropriação e valorização de sua herança cultural, capacitando-os para um melhor usufruto destes bens, e propiciando a geração e a produção de novos conhecimentos, num processo contínuo de valorização da própria história.