Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro

Enviada em 31/07/2019

Patrimônio ameaçado

O termo “tombamento” passou a ser conhecido no Brasil, na década de 1930, a partir de sua utilização em uma das propostas de norma de proteção ao patrimônio histórico e artístico do país. Origina-se em Portugal - em que os inventários eram escritos em livros próprios e guardados na Torre do Tombo - e consiste na ação do Estado colocar sob sua tutela bens cuja conservação seja de interesse público, por seu valor histórico, artístico, arqueológico, entre outros. Nesse contexto, observa-se um profundo descaso quanto ao patrimônio histórico-cultural brasileiro na atualidade. A perpetuação dessa indiferença, por parte do governo e da sociedade, deve ser combatida, sob pena de prejuízos à memória e história brasileiras.

A princípio, o desinteresse do público quanto a bens materiais e imateriais tombados é perceptível pela baixa visitação a museus nacionais, por exemplo. Segundo o portal de notícias BBC Brasil, em 2017, o Museu Nacional recebeu 192 mil visitantes, em contrapartida, o Museu do Louvre registrou a visita de 289 mil brasileiros. Esse contraditório fenômeno de desvalorização de elementos em detrimento da supervalorização de bens e espaços estrangeiros, denominado pelo dramaturgo Nelson Rodrigues de “complexo de vira-lata”, trata a cultura brasileira como inferior e culpa aspectos, como a miscigenação, por isso. Consequentemente, poucos são os esforços para exaltar e preservar cultura e acervos nacionais.

De outra parte, a omissão governamental é incontestável. Dificuldades financeiras, devido à redução de repasses e, por conseguinte, entraves na conservação e segurança são principais problemas em museus e prédios históricos brasileiros. No caso do Museu Nacional, o gasto no de 2018, até a data do incêndio que o destruiu, havia sido de cerca de 268 mil reais, enquanto dados da ONG Contas Abertas demonstram que esse montante equivale a 15 minutos dos gastos do Congresso Nacional em 2017. Desse modo, diversos museus são obrigados a fechar a visitação ou operar de maneira precária arriscando a seguridade dos acervos.

Urge, portanto, redirecionar esforços no intuito de enfrentar a problemática da indiferença quanto à preservação do patrimônio no Brasil. Cabe ao Ministério da Cultura junto ao Instituto do Patrimônio Histórico Nacional, propor campanhas de divulgação de informações sobre patrimônio e cultura nacional, enfatizando sua importância para a identidade da nação.Por meio de vídeos educativos que devem ser veiculados em mídias sociais e rede nacional a fim de incentivar a valorização e visitação do patrimônio para, assim, promover a preservação dos tesouros da história brasileira.