Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro
Enviada em 28/08/2019
A França, referência em museus, é um bom exemplo no que tange à preocupação com o patrimônio histórico, uma vez que em poucas horas já angariavam fundos para a reconstrução da catedral de Notre-dame após o seu incêndio. Em contrapartida, no Brasil a realidade tem sido bem distinta após o incêndio do Museu Nacional. O abandono do edifício explicita bem tal realidade. Tal descaso com patrimônio histórico cultural brasileiro é fruto do desprezo da população com a sua história, aliado aos baixos investimentos governamentais, gerando assim, uma responsabilidade compartilhada.”
A priori, o descaso governamental perante os acervos históricos é uma conjuntura preocupante. De conformidade ao pensamento do escritor Henry James, uma das principais figuras do realismo na literatura do século XIX, no qual ele diz que é preciso muitíssima história para forjar uma pequena tradição, isto é, a cultura e tradição de muitos povos brasileiros dependem da preservação e do cuidado dos acervos e patrimônios que hoje demandam de investimentos públicos e de profissionais especializados. Com efeito, isso fica evidente no descuido com a cultura do sofrimento nordestino quando não se preservam os campos de concentração de imigrantes aos arredores de Fortaleza. Outrossim, constatasse que o desinteresse da população brasileira para com a sua identidade cultural é reflexo de um processo histórico. Ou seja, a sociedade segue com excessiva dificuldade em cuidar e se adequar aos espaços históricos. De fato, isso fica evidente em pesquisas realizadas pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, nas quais revelaram que 70% da população brasileira nunca visitou um museu ou centro histórico. Por conseguinte, a falta de visitação e o descaso da população acarreta uma perda cultural, formando uma sociedade preconceituosa com as diferentes culturas existentes no país.
Portanto, diligências são necessárias para pontuar a importância da preservação do patrimônio histórico-cultural brasileiro. Com essa intenção são necessárias ações conjuntas de todo o corpo social. O poder público, representante do interesse comum, precisa cumprir o seu papel ao fazer investimento, por meio de reformas, contratação de profissionais – especializados em conservar e estudar diferentes culturas – e o cuidado com os acervos a fim de garantir a preservação das identidades culturais brasileiras. A sociedade brasileira, por seu turno, deverá buscar maneiras de cultivar no seu cotidiano o hábito de visitar e expor os patrimônios da sua cultura, uma vez que a ela cabe contar a sua história. Para que, desse modo, o Brasil possa ser referência, assim como a França.