Preservação do patrimônio histórico cultural brasileiro
Enviada em 11/08/2019
A destruição da Biblioteca de Alexandria é um evento histórico que divide opiniões dos estudiosos até os dias de hoje. A teoria mais provável é que a biblioteca teria sucumbido a uma série de incêndios. O imperador Julio Cesar é, inclusive, citado como possível autor de um desses atos que resultaram na destruição desse valioso centro de conhecimento. De maneira análoga, é possível perceber que no Brasil a carência de infraestrutura e o descaso com os patrimônios nacionais assumem papel similar ao do imperador romano e geram empecilhos para a sua conservação. Nesse viés, é pertinente analisar os entraves de cunho governamental, que inibem a proteção e o enaltecimento a esses espaços de memória histórico-cultural.
Convém ressaltar, a princípio, que a Constituição Federal determina que monumentos - de caráter material ou imaterial - tenham a valorização e o amparo do Estado. Entretanto, não é isso o que acontece, haja vista que se observa com frequência a degradação de inúmeros espaços seculares por ausência de investimento na manutenção de tais locais. Desse modo, essa conjuntura de negligências, além de ferir a carta magna brasileira, impede que a herança cultural seja preservada para com as futuras gerações. Consequentemente, casos de incêndio como o do Centro Cultural Liceu e o do Museu Nacional, ocasionados por falta de resguardo, tornam-se recorrentes e ratificam que a inoperância estatal é um propulsor para a alteração dessas riquezas.
Além disso, é valioso enfatizar que, atualmente, existe uma perspectiva de sobrepujar a historicidade de certas regiões, a fim de que ela possa legitimar a cidade no plano das demandas econômicas. Um exemplo disso foi o projeto de revitalização da zona portuária do Rio com vistas às olimpíadas de 2016, que não levou em consideração que a região durante o período colonial, alimentou a economia do país com o tráfico de escravos. Apesar dessa memória histórica, a longa memória da escravidão é, muitas vezes, negligenciada e, por isso, pouco discutida pela sociedade. Nesse panorama, entende-se que colocar em primeiro plano uma razão econômica em detrimento da história fomenta os desafios para a preservação das memórias que existem nesses locais e colaboram para que permaneçam desconhecidas pelo corpo social. Depreende-se, portanto, que defender o legado antropológico é um complexo desafio hodierno.
Dessarte, torna-se primordial que o Estado atue com diligencia para amenizar o quadro atual. Sendo assim, é necessário que o governo- responsável por garantir os direitos dos cidadãos- crie projetos que preservem as heranças histórico-culturais, por meio da liberação de verbas, com o intuito de garantir às próximas gerações o acesso a essas lembranças sociais. Somado a isso, o IPHAN - órgão encarregado pela defesa e divulgação do patrimônio nacional- deve reconhecer e divulgar o valor histórico e cultural de determinadas áreas, por intermédio da colaboração de historiadores, a fim de que a identidade brasileira não seja esquecida ou renegada. Dessa maneira, construir-se-á um Brasil consciente de seu passado e um povo lúcido com sua história.